PGFN: Liminar suspende imposto de exportação de petróleo com base em MP inexistente

PGFN alega que liminar suspendeu imposto de exportação de petróleo com base em trecho de MP que não existe, gerando críticas sobre fragilidade jurídica.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apontou que uma decisão judicial que suspendeu o imposto de exportação de petróleo bruto citou um trecho de medida provisória (MP) que não existe na legislação.

A decisão, que atendeu a um pedido das empresas Equinor, TotalEnergies, Petrogal, Shell e Repsol-Sinopec, fundamentou-se em um suposto artigo da MP da subvenção do diesel, que vincularia a arrecadação do imposto de exportação ao atendimento de necessidades fiscais emergenciais da União.

O juiz federal Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, admitiu que a decisão levou em conta “três parágrafos que não integram o texto da referida medida provisória”, mas manteve a decisão, alegando que o erro material não afeta as conclusões extraídas do processo de interpretação.

A alíquota de 12% foi instituída pelo governo como parte de ações para reduzir os efeitos da alta nos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis sobre os consumidores brasileiros, em meio ao conflito no Oriente Médio.

A PGFN considera que o equívoco compromete a base da decisão e evidencia uma “fragilidade jurídica” na concessão da liminar. Nos bastidores do governo, há a suspeita de que o erro tenha sido causado pela anexação de uma versão modificada da MP pelas petroleiras.

A decisão judicial

O magistrado também destacou que o próprio governo reconheceu que a cobrança tinha objetivo arrecadatório, o que, segundo ele, caracteriza um “verdadeiro desvio de finalidade”. A isenção pode criar um problema para o governo, uma vez que a taxa visava cobrir perdas de arrecadação decorrentes de cortes de impostos sobre combustíveis.

Críticas ao imposto

O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) afirmou que a cobrança pode se tornar um obstáculo a novos investimentos no país. Executivos das grandes petroleiras reforçaram a necessidade de maior previsibilidade, defendendo que o Brasil mantenha estabilidade fiscal e regulatória para atrair capital ao setor.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu o imposto como uma medida excepcional devido ao impacto do conflito no Oriente Médio nos preços dos combustíveis no Brasil, afirmando que as empresas estão lucrando com o conflito e podem “pagar um pouco mais” para ajudar o governo a subsidiar o combustível.

Plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro.
Plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro.

Fonte: G1

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade