Um hotel de luxo prometido para 2014 em Belo Horizonte, que levaria a bandeira da rede Golden Tulip, nunca recebeu hóspedes e se tornou um elefante branco. O projeto, que envolveu o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e seu pai, Henrique Vorcaro, recebeu incentivos públicos ligados à Copa do Mundo. Em vez de revitalizar a área, a construção ficou inacabada.
Henrique Vorcaro busca agora um parceiro para viabilizar a abertura do hotel, considerando o cenário econômico atual mais favorável. Duas incorporadoras apresentaram propostas, que estão em avaliação.
Os negócios imobiliários da família Vorcaro antecedem a entrada no setor financeiro. Daniel Vorcaro iniciou sua atuação nos negócios do pai em 2004, focando em incorporadoras.
Histórico de Parcerias e Incentivos
A trajetória imobiliária ganhou impulso em 2011 com a aproximação de Daniel Vorcaro aos irmãos Conte, sócios da gestora Blackwood. Essa parceria resultou em um projeto ambicioso, impulsionado por políticas da prefeitura de Belo Horizonte que ofereciam incentivos a empreendimentos hoteleiros para a Copa de 2014. Os benefícios incluíam aspectos urbanísticos, regulatórios e financeiros.
O plano era transformar um prédio abandonado no centro da capital mineira em um hotel cinco estrelas, com heliponto, restaurantes, spa e centro de convenções. O projeto previa suítes presidenciais, uma suíte real e apartamentos de luxo, com parte vendida para investidores. O empresário Roberto Justus foi o garoto-propaganda da empreitada.
Paralisação e Descumprimento de Prazos
O contrato com a prefeitura estabelecia o prazo de entrega para março de 2014, visando a Copa do Mundo. O investimento estimado superava R$ 200 milhões, com capital privado e incentivos municipais. Contudo, a obra foi paralisada por falta de recursos financeiros, não cumprindo seu papel estratégico para o evento.
A baixa adesão de investidores, devido ao preço elevado das unidades e à localização em área degradada, comprometeu o fluxo de caixa. O projeto deixou de se beneficiar da Lei da Copa e passou a se adequar a parâmetros mais restritivos, com a possibilidade de multas.
O edifício não possui Alvará de Funcionamento e possui débitos em aberto referentes à taxa de regularização. A RFM Construtora encerrou o contrato por descumprimento de obrigações do desenvolvedor. A BHG rescindiu seu contrato de operação em 2016 devido ao atraso na finalização das obras.
Nova Tentativa de Conclusão
Atualmente, Henrique Vorcaro busca um parceiro para finalizar o projeto, que ele afirma estar 95% concluído. A infraestrutura está completa, restando ajustes finais. O hotel foi concebido como cinco estrelas, com 440 apartamentos.
Vorcaro atribui o atraso inicial à autorização de novos hotéis na capital e às dificuldades do setor hoteleiro, agravadas pela pandemia. Propostas de aquisição, inclusive de grupos do setor de saúde, foram consideradas, mas não efetivadas.
Fonte: Estadão