Governo propõe usar receita extra de petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis

Governo envia ao Congresso projeto para usar receita extra de petróleo na redução de impostos sobre combustíveis como diesel, gasolina e etanol.

O governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que autoriza a conversão de aumentos extraordinários na receita do petróleo em reduções de impostos sobre combustíveis. A proposta visa mitigar os efeitos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio sobre os preços.

Mecanismo de Compensação Fiscal

A iniciativa permite que o governo utilize o montante de receitas adicionais, provenientes de royalties, participação especial, venda de petróleo e gás, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (IRPJ/CSLL) do setor, e impostos sobre exportação, para abater tributos como PIS/Cofins e Cide-gasolina aplicados ao diesel, gasolina, etanol e biodiesel. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, explicou que o objetivo é converter o aumento da receita pública, gerado pela alta do petróleo, em mecanismos que amortecessem o impacto na população.

A neutralidade fiscal das medidas estará assegurada, pois o limite para a redução de tributos será a receita extraordinária apurada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as ações serão acompanhadas diariamente pela equipe econômica, com o compromisso de que a arrecadação adicional será o limite para a redução da tributação.

Impacto e Aplicação

Caso o projeto seja aprovado, o Executivo poderá tomar novas medidas sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel. A redução tributária incidiria sobre a prorrogação de medidas já existentes para o diesel e sobre a gasolina e o etanol, que ainda não tiveram ajustes de tributos. Segundo Moretti, cada R$ 0,10 de tributos retirados da gasolina geraria um impacto fiscal de R$ 800 milhões a cada dois meses, limitado à receita extraordinária.

A medida, que durará enquanto a instabilidade no Oriente Médio persistir, prevê a possibilidade de redução parcial sobre gasolina e etanol, com trabalho para um período de dois meses que será avaliado. A retirada de tributos seria efetivada por meio de decreto presidencial, mediante autorização do Congresso.

Contexto e Medidas Anteriores

No início do mês, o governo já havia anunciado um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis, com custo total de R$ 30,5 bilhões, compensado por receitas advindas do óleo diesel e royalties. As ações incluíram subvenção ao diesel importado e produzido no Brasil, isenção de impostos federais sobre o biodiesel, subvenção ao gás de cozinha e ao querosene de aviação, além de linhas de crédito para o setor aéreo.

Especificamente para o diesel, a subvenção prevê um desconto de R$ 1,20 por litro (R$ 0,60 federal e R$ 0,60 estadual), somando-se a um subsídio anterior de R$ 0,32, totalizando R$ 1,52. O objetivo é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a disparada de preços. A medida, com custo de R$ 4 bilhões (R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para estados e DF), seria aplicada por pelo menos abril e maio. Uma nova subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil também foi criada, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês, com duração de dois meses, podendo ser prorrogada.

Fontes: G1 Infomoney

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