O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil se encontra em uma “posição forte” para enfrentar os choques globais nos preços de energia decorrentes da guerra no Irã. A declaração foi feita em um documento enviado ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos Estados Unidos.
“A economia brasileira encontra-se em posição robusta para lidar com os efeitos significativos do choque global nos preços de energia”, declarou Durigan no documento.
Segundo o ministro, a inflação tem convergido para a meta, impulsionada por uma política monetária restritiva. Isso permite ao Banco Central (BC) iniciar um ciclo de flexibilização monetária no país.
Durigan reforçou ao Comitê do FMI que a autoridade monetária continuará focada na estabilidade de preços. O documento, que geralmente é elaborado pelo ministro da Fazenda, também conta com a participação do presidente do BC, Gabriel Galípolo.
“O Banco Central continuará a perseguir seu mandato de estabilidade de preços, assegurando, simultaneamente, a estabilidade financeira e buscando suavizar flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego”, reiterou Durigan.
Em relação aos impactos da guerra, o ministro apontou que o aumento dos preços internacionais do petróleo tende a expandir o superávit comercial do Brasil. Isso contribuiria para um crescimento nas exportações líquidas. No ano passado, petróleo e derivados representaram cerca de 16% do valor total das exportações brasileiras e aproximadamente 8% das importações, gerando um saldo líquido positivo próximo a US$ 32 bilhões.
Durigan também destacou que os investimentos contínuos em fontes renováveis de energia e biocombustíveis resultaram em uma matriz energética distintamente “robusta e limpa”, fortalecendo a resiliência da economia brasileira. “Todavia, tais efeitos podem ser parcialmente compensados por restrições no acesso a fertilizantes – insumo essencial para as exportações do agronegócio brasileiro, bem como pela redução da demanda global, elevação dos preços de importação e condições financeiras mais restritivas”, admitiu.
O texto assinado por Durigan representa o posicionamento de um grupo de países, conhecido como ‘constituency’ na linguagem do Fundo. Este grupo é formado por Brasil, Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor-Leste e Trinidad e Tobago.
Fonte: Infomoney