O Governo Lula planeja implementar medidas de expansão de crédito que, segundo economistas, podem levar o Banco Central a manter a taxa básica de juros elevada por mais tempo. A equipe econômica avalia que o endividamento da população é um fator de insatisfação com a economia, apesar do pleno emprego e da expansão da renda.
A proposta inclui a criação de novas linhas de crédito mais baratas, com subsídios ou garantias governamentais, além de programas de refinanciamento de dívidas. No entanto, a análise sugere que o aperto no mercado de crédito se deve à taxa Selic em 14,75% ao ano, necessária para combater pressões inflacionárias causadas por políticas fiscal e de crédito expansionistas.
Impacto do Crédito na Política Monetária
Dados do Banco Central indicam um aumento significativo nos pagamentos líquidos de famílias a bancos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Apesar de as famílias estarem transferindo recursos líquidos para os bancos, o endividamento total continua a crescer, evidenciando o efeito dos juros altos.
O Banco Central utiliza a taxa Selic como ferramenta para desacelerar a economia, o que encarece e reduz a concessão de crédito. A eficácia desse instrumento é parcialmente comprometida pelo crédito direcionado, que é menos sensível à Selic. A situação se agrava com a política fiscal expansionista do governo, que atua no sentido oposto.
Economia Reacelera e Inflação Preocupa
O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou uma expansão de 2,3% em 2025, superior à expectativa do Banco Central. Medidas governamentais como a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil e o reajuste do salário mínimo impulsionam o consumo, levando a uma reaceleração econômica.
Economistas do setor privado estimam um crescimento entre 0,8% e 0,9% no primeiro trimestre de 2026. Essa reaceleração, juntamente com sinais de inflação, adiou o início do ciclo de corte de juros, inicialmente previsto para janeiro e postergado para março.
Cenário Internacional e Reação do BC
O choque da guerra no Oriente Médio gera pressão duradoura nos preços de combustíveis e alimentos, levando bancos centrais globais a adotarem posturas mais cautelosas. No Brasil, a alta taxa de juros básicos sustenta a possibilidade de cortes na Selic, mas políticas fiscais e de crédito expansionistas podem exigir doses maiores de aperto monetário para evitar um novo surto inflacionário.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já indicou que, diante de uma expansão fiscal concreta, a política monetária reagirá para estimar os impactos na inflação e garantir o cumprimento das metas. Medidas de crédito ou fiscais expansionistas podem deslocar a demanda agregada acima da capacidade de oferta, forçando o Banco Central a manter um nível de aperto monetário mais elevado, o que prolongaria as condições de crédito restritivas para a população.
Fonte: Globo