A guerra no Oriente Médio, que já dura mais de um mês, gera preocupações sobre o abastecimento de diesel e o aumento dos preços de alimentos no Brasil, especialmente em um ano eleitoral. O cenário lembra 2022, quando a Guerra da Ucrânia impactou a economia e a campanha presidencial de Bolsonaro.
A comparação com a eleição passada é crucial para analisar o cenário atual. Embora o conflito aumente a pressão sobre o governo Lula, com escândalos de corrupção já afetando a comunicação oficial, ainda é cedo para prever o resultado eleitoral. A reação do presidente ao conflito será determinante.
Os prognósticos são preocupantes. O bloqueio do Estreito de Ormuz eleva o risco de desabastecimento e inflação, afetando regiões dependentes de importações do Oriente Médio. Países como Filipinas, Vietnã e Índia já implementam medidas de economia de combustível e trabalho remoto.
O Brasil, por ter rotas alternativas de importação, dificilmente sofrerá com desabastecimento de combustíveis neste mês. Contudo, a situação pode se agravar a partir de maio, caso a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz persista.
O Irã demonstra capacidade de resistência, mesmo sob bombardeio. Uma possível Batalha de Ormuz alteraria significativamente o cenário econômico global.
Medidas emergenciais e subsídios
O governo busca garantir o abastecimento de diesel e manter os preços estáveis, evitando tabelamento direto ou intervenção agressiva na Petrobras. A estratégia atual envolve a subvenção à compra de diesel importado, que pode ser ampliada com o prolongamento do conflito.
Impacto em outros derivados e querosene de aviação
Além do diesel, o governo monitora os efeitos da crise em outros derivados de petróleo, como o gás de cozinha e o querosene de aviação. O presidente Lula criticou a alta nos preços do gás e prometeu rever a operação de leilão da Petrobras.
Vantagem brasileira: exportação de petróleo
A condição do Brasil como exportador de petróleo confere uma vantagem estratégica. A sobra de arrecadação, estimada em R$ 100 bilhões, permite ao governo adotar medidas mais ousadas em comparação com a pandemia, quando o endividamento foi necessário para financiar medidas de proteção social.
Diante da escalada do conflito e da possibilidade de destruição de empregos globalmente, espera-se uma reação forte do governo brasileiro. A intensidade dessa reação pode ser ainda maior se o governo entrar em pânico diante da perspectiva de derrota eleitoral.
Fonte: Estadão