Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Dias Toffoli criticaram o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na CPI do Senado sobre o Crime Organizado. O relatório propõe o indiciamento de ambos, além do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Durante sessão da 2ª Turma do STF, Gilmar Mendes classificou o relatório como “proposta tacanha” e alertou que eventuais excessos da comissão podem configurar crime de abuso de autoridade. Ele reiterou críticas feitas anteriormente em redes sociais, afirmando que a CPI não possui “base legal” para propor o indiciamento de ministros da Corte.
Gilmar Mendes também considerou o relatório um “erro histórico” e uma “cortina de fumaça” que se desvia do problema central para atacar o STF, visando dividendos eleitorais. Ele criticou a falta de foco nas apurações contra milicianos e integrantes de facções criminosas no Rio de Janeiro, sugerindo que o relator “esqueceu dos seus colegas milicianos”.
O ministro também comentou sobre vazamentos de conversas íntimas obtidas por CPIs, descrevendo a prática como “constrangedor” e “vergonhoso”. Ele lamentou a queda na qualidade do Congresso em comparação com legislaturas passadas e associou certas iniciativas a um “quê de lavajatismo” que busca “emparedar o Poder Judiciário”.
Dias Toffoli, por sua vez, chamou o relatório de Vieira de “excrescência” com fins eleitorais e “aventureiro”, sem “base jurídica” ou “base factual”. Ele alertou que tais ações podem levar à inelegibilidade e a sanções, afirmando que a Justiça Eleitoral punirá quem abusa do poder em proselitismo eleitoral.
O relatório de Vieira aponta que os ministros citados deveriam ter se declarado suspeitos para julgar o caso do banco Master no Supremo, devido a supostas relações de proximidade com o dono do banco, Daniel Vorcaro. A CPI foi instalada em novembro de 2025 para investigar omissões no combate ao crime organizado no Brasil.