Genética influencia eficácia de canetas emagrecedoras, aponta pesquisa

Pesquisa revela que mutações genéticas em genes como GLP1R e GIPR influenciam a eficácia e os efeitos colaterais de canetas emagrecedoras.
FILE PHOTO: Boxes of Ozempic and Wegovy made by Novo Nordisk are seen at a pharmacy in London, Britain March 8, 2024. REUTERS/Hollie Adams/File Photo

Mutações em dois genes que regulam a fome e o processamento de alimentos podem influenciar a eficácia de tratamentos contra a obesidade com fármacos como Mounjaro e Wegovy, conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Indivíduos com essas alterações genéticas tendem a apresentar uma redução de medidas mais acentuada.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature, sugere que a variação genética pode explicar as diferenças nos resultados clínicos, onde alguns pacientes emagrecem drasticamente, enquanto outros podem sofrer com reações adversas severas, como vômitos e enjoos.

O estudo, conduzido pelo departamento de Genética Humana do Instituto de Pesquisa 23andMe, utilizou dados de DNA e experiências de usuários para investigar o impacto do perfil genético nos resultados desses tratamentos.

Eficácia e efeitos colaterais genéticos

Uma mutação específica no gene GLP1R, que altera a proteína produzida, foi associada a uma potencialização significativa do efeito das substâncias emagrecedoras. Por outro lado, alterações nos genes GIPR e GLP1R foram conectadas ao surgimento de episódios de vômito ou náusea em quem utiliza essas terapias.

Cientistas observaram que os efeitos adversos ligados ao gene GIPR ocorrem especificamente com a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro e Zepbound), sem afetar quem usa a semaglutida (presente no Ozempic e Wegovy).

Profissionais de saúde ressaltam que, embora a genética tenha um papel, o sucesso dessas terapias também depende de fatores como idade, sexo e histórico étnico do indivíduo.

Testes clínicos e variações de resultados

Testes clínicos indicam que a tirzepatida resulta em uma redução média de massa corporal de 20%, enquanto a semaglutida promove uma baixa de aproximadamente 14%. A pesquisa acompanhou mais de 15 mil pacientes por oito meses, com uma perda média de peso total de 11,7%, mas com desempenho heterogêneo.

Houve casos de eliminação de até 30% da massa inicial, contrastando com usuários que apresentaram poucos ou nenhum resultado prático. O cruzamento do mapa genético com o histórico do paciente pode, no futuro, auxiliar na definição do remédio ideal para cada caso, dentro do conceito de medicina de precisão.

Uma variante genética identificada está ligada a uma maior redução de quilos e, simultaneamente, à sensação de enjoo. Outra variante pode levar cerca de 1% dos pacientes a sofrerem com crises severas de vômito ao usar tirzepatida, um índice consideravelmente superior ao usual.

Pesquisas anteriores já haviam apontado que mulheres têm o dobro de probabilidade de eliminar 15% da massa corporal com Mounjaro do que homens. Perfis mais jovens e pessoas de etnia branca ou asiática também costumam apresentar melhores resultados, embora os motivos ainda não sejam totalmente compreendidos pela ciência.

Mulher sorrindo com caneta emagrecedora na mão
A genética pode ser um fator determinante na resposta a tratamentos contra obesidade.
Gráfico de barras mostrando a eficácia de diferentes medicamentos para perda de peso
Diferentes medicamentos apresentam taxas de perda de peso variadas em testes clínicos.
Pessoa pesando-se em uma balança digital
A perda de peso varia significativamente entre indivíduos que utilizam canetas emagrecedoras.

Fonte: Infomoney

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