A Missão Artemis II representa um sucesso histórico que, momentaneamente, desvia a atenção dos Estados Unidos e do mundo. No entanto, esse feito não anula as ações de Donald Trump que impactaram negativamente a economia, as regras, a estabilidade e a segurança globais, levantando questionamentos sobre o sistema de freios e contrapesos da democracia americana.
Quando Trump ameaça o Irã com a possibilidade de “toda uma civilização morrer, para nunca mais voltar”, isso sinaliza um desvio preocupante, comparável a discursos históricos de figuras como Hitler, representando um alerta para a humanidade. Apesar da perplexidade de parte da população e da mídia, o sistema de Justiça, as Forças Armadas e o Congresso parecem reagir com indiferença, tratando tais declarações como meras “frases desajeitadas”.
Ameaças e crimes contra a democracia
A alegação de que Trump “só ameaçou” ou “só blefou” ignora a gravidade de suas palavras. Assim como Jair Bolsonaro articulou um golpe que não se concretizou, Trump proferiu ameaças explícitas de genocídio. Esses atos configuram crimes contra a democracia e a humanidade, servindo como um péssimo exemplo global.
Resposta democrática falha
O sistema democrático americano parece refém de uma única figura, que se atribui poderes quase divinos para cometer aberrações sem consequências, posicionando-se acima da Constituição, das convenções internacionais e do bom senso. Essa distopia, sem precedentes, deveria gerar indignação e reação contundente da sociedade civil, do Partido Democrata, da ala moderada republicana, da Suprema Corte, das Forças Armadas e de membros do próprio governo.
Contudo, observam-se apenas reações esporádicas, como protestos de rua e o caso isolado de um comandante militar que criticou o sistema ao se retirar. Militares de alta patente, treinados em ordem, hierarquia e disciplina, são compelidos a missões inconstitucionais, enfrentando o dilema de cumprir ordens ilegais. Exceto por raras exceções, a maioria cumpre ordens, ignorando leis e a consciência.
Em contraste com o Brasil, onde instituições e a sociedade apoiaram líderes legalistas e puniram golpistas, Trump afastou legalistas para substituí-los por carreiristas e extremistas. O ataque resultante da aliança entre Trump e Netanyahu, que vitimou 176 pessoas, incluindo 168 crianças, em uma escola no Irã, simboliza essa era. Se os EUA, outrora referência democrática, permitem tais atos, caminhamos para o “Admirável Mundo Novo de Donald Trump”, sem resistência.
Fonte: Estadão