O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta segunda-feira (6) a cautela na condução da política de juros no Brasil. Galípolo afirmou que a sociedade brasileira não tolera mais inflação, tornando o tema central nas discussões econômicas.
A declaração ocorreu durante um seminário sobre política monetária promovido pela FGV Ibre, no Rio de Janeiro. Galípolo abordou o cenário econômico global, marcado pelas incertezas geradas pela guerra no Irã, que pressionou as cotações do petróleo e elevou as estimativas de inflação no Brasil.
Galípolo destacou a importância da serenidade e da cautela nas decisões do BC. “A ideia é poder tomar tempo para conhecer melhor o problema e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros, na direção da política monetária”, explicou.
Em março, o BC reduziu a taxa básica de juros (Selic) para 14,75% ao ano. No entanto, o cenário de inflação sofreu alterações com o conflito no Oriente Médio. O boletim Focus, divulgado pelo BC nesta segunda-feira, indicou que o mercado financeiro elevou a projeção para o IPCA em 2026 de 4,31% para 4,36%, aproximando-se do teto da meta de inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) já havia alertado em março que a piora nas expectativas para prazos mais longos dificulta a convergência do índice oficial à meta, exigindo juros mais altos por um período prolongado.
Galípolo também comentou que os banqueiros centrais não são mais criticados apenas por aumentarem os juros e causarem queda de popularidade, mas também por cortarem demais e impactarem a inflação. Ele ressaltou que a vigilância contra a inflação incorporada pela sociedade é um ponto positivo para a autoridade monetária.