Fraude do Banco Master: Manobras ocultaram balanço ilíquido e levaram à quebra

Fraude no Banco Master expõe manobras para ocultar balanço ilíquido, levando à quebra e a um prejuízo de R$ 52 bilhões para o sistema bancário.

Problemas de liquidez no Banco Master culminaram na maior fraude bancária da história do Brasil, com manobras para esconder irregularidades em seu balanço. Documentos detalham como a instituição, controlada por Daniel Vorcaro, enganou investidores e reguladores.

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O sistema bancário brasileiro arcará com R$ 52 bilhões para reembolsar investidores. A Mastercard, por sua vez, teve um prejuízo bilionário por ter sido a bandeira dos cartões emitidos pelo Will Bank, fintech do Master.

Sinais de estresse e captação insuficiente

Em 2024, o banco captou apenas R$ 2 bilhões, aquém dos R$ 15 bilhões esperados. Seus ativos, como créditos para empresas com dificuldades e precatórios, geravam pouco caixa para honrar compromissos com investidores.

Manobras para melhorar números e o impacto dos precatórios

O Master utilizou fundos de investimento e vendas de ativos para disfarçar problemas. Apesar das exigências de ajuste do Banco Central (BC) desde 2021, as irregularidades se agravaram. Uma mudança em outubro de 2023, que alterou a classificação de precatórios, pesou sobre o banco, que já possuía mais de R$ 6 bilhões em tais ativos.

Expansão e problemas na fintech Will Bank

Mesmo com a crise de liquidez, o Master adquiriu o Will Bank em 2024. O BC identificou que a fintech não aplicava recursos adequadamente, exigindo um ajuste de R$ 1,8 bilhão. O regulador determinou que o Will Bank priorizasse o cumprimento de obrigações.

O Master tentou uma saída com a venda de parte de sua operação ao BRB por R$ 2 bilhões, mas o BC rejeitou o negócio em setembro de 2023 devido a suspeitas de ligações com gestoras investigadas por crime organizado. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chegou a desembolsar uma linha de crédito para pagar investidores de curto prazo.

Diante da liquidez próxima de zero, Vorcaro buscou novos recursos e compradores. Um plano de 180 dias previa a liquidação organizada do banco até dezembro de 2026, após a venda de ativos. Contudo, o BC calculou que o Master necessitaria de um ajuste de R$ 20 bilhões, quatro vezes seu patrimônio líquido.

A última tentativa de venda, a um grupo liderado pela Fictor, não foi analisada pelo BC, pois a oferta chegou sete horas após a decisão de liquidar o banco. Naquele dia, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar para Dubai, alegando encontrar investidores.

Fonte: UOL

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