As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã em Islamabad, Paquistão, terminaram no domingo sem um acordo para encerrar a guerra que começou há seis semanas. Ambos os lados culparam o outro pelo fracasso das conversas, que foram as primeiras conversas presenciais entre os dois países em mais de uma década.






Autoridades americanas afirmaram que as negociações desmoronaram porque o Irã não se comprometeu a abandonar seu programa nuclear. Por outro lado, líderes iranianos culparam Washington pelo colapso, sem detalhar as disputas específicas. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que é necessário um compromisso explícito de que o Irã não buscará armas nucleares ou os meios para alcançá-las rapidamente.
Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano e chefe da delegação do país, atribuiu a responsabilidade aos Estados Unidos, afirmando que é hora de Washington decidir se pode conquistar a confiança iraniana.
Pontos de discórdia e o futuro do cessar-fogo
A agência de notícias Tasnim, do Irã, relatou que demandas americanas consideradas “excessivas” bloquearam o progresso. Outros veículos iranianos indicaram que houve consenso em algumas questões, mas divisões profundas persistiram em relação ao programa nuclear iraniano e ao controle do Estreito de Hormuz. Após o colapso das negociações, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana bloquearia o estreito.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã descreveu a atmosfera como marcada pela desconfiança, acrescentando que alcançar um acordo em uma única sessão nunca foi realista. O Ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, instou ambos os lados a preservar o cessar-fogo acordado na terça-feira, considerando-o “imperativo” para os esforços contínuos de busca pela paz.
Analistas apontam que o conflito foi estrutural, não tático. Os EUA buscaram limites para o programa nuclear iraniano, desescalada regional e navegação segura, enquanto o Irã exigiu alívio das sanções, reconhecimento e proteção. Os objetivos centrais de ambos os lados não se alinharam.
O cessar-fogo é sustentável?
Apesar do fracasso nas negociações, analistas mantêm um otimismo cauteloso de que o cessar-fogo será mantido e que os ataques não serão retomados, com a possibilidade de diplomacia paralela ajudando a sustentar a trégua. O cessar-fogo é considerado frágil, pois não se baseia em um acordo político, mas sim em uma pausa temporária moldada pela cautela e por cálculos de curto prazo. Ambos os lados estão gerenciando a situação em vez de resolvê-la.
A declaração de um cessar-fogo frágil ocorreu dias antes do início das conversas em Islamabad, em meio a uma guerra de seis semanas que já causou milhares de mortes e desestabilizou os mercados globais. A trégua é importante, mas os canais de mediação devem permanecer intactos e ambos os lados devem continuar o processo diplomático.
O risco é de erosão gradual. Incidentes locais, erros de cálculo ou ações de grupos aliados podem testar os limites da contenção. Sem um processo diplomático de acompanhamento, o cessar-fogo permanece exposto e carece de estabilidade a longo prazo.
Perspectivas para futuras negociações
Analistas acreditam que negociações imediatas entre EUA e Irã são improváveis, dadas as tensões elevadas e os recentes contratempos. No entanto, a diplomacia não terminou, pois ambos os lados têm fortes incentivos para retomar as negociações. Mais conversas são prováveis, mas não imediatamente. Haverá uma pausa para que ambos reavaliem suas posições e alavancagens. Se as negociações recomeçarem, é improvável que comecem com as questões mais difíceis, mas sim com passos técnicos mais restritos que reduzam o risco sem exigir grandes concessões.
A diplomacia discreta e a mediação podem continuar a desempenhar um papel para viabilizar futuras rodadas, mas isso dependerá de como os Estados Unidos e o Irã determinarão seus próximos passos imediatos.
Fonte: Dw