O economista Nouriel Roubini, conhecido como “Doutor Catástrofe” por ter previsto a crise financeira global de 2008, avalia em 75% a probabilidade de os Estados Unidos escalarem o conflito com o Irã. Segundo ele, a situação pode se agravar a partir desta noite, com base em publicações do presidente Donald Trump.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2023/a/A/fBGFbbTOWvo17ZhxMwOg/foto10bra-201-roubini-a2.jpg)
Em um evento promovido pelo Bradesco BBI, Roubini apresentou três cenários com diferentes probabilidades de curto e longo prazo. O primeiro cenário, com 25% de chance, prevê uma desescalada do conflito. Isso resultaria em uma reação positiva nos mercados no curto prazo, com o preço do petróleo retornando a cerca de US$ 80 o barril. No entanto, as perspectivas de longo prazo permanecem negativas, pois o Irã pode voltar a ameaçar fechar o Estreito de Ormuz.
O segundo cenário, considerado o mais provável por Roubini com 55% de chance, é a escalada do conflito com vitória dos EUA e Israel. As consequências imediatas seriam de alta incerteza e volatilidade nos mercados, com o petróleo podendo atingir US$ 120. No longo prazo, a ameaça iraniana seria eliminada, caso a guerra se limite a dois ou três meses.
O terceiro cenário, com 20% de probabilidade, aponta para uma escalada do conflito onde os EUA não saem vitoriosos. Isso não significaria uma vitória militar iraniana, mas sim a continuidade das ameaças do país, tentativas de bloqueio de Ormuz e a possibilidade de causar danos severos à infraestrutura de petróleo de países do Golfo Pérsico.
Roubini descreve este último como o pior cenário, um “pesadelo” que poderia levar a uma crise semelhante à da década de 1970, com estagflação. Nesse caso, os mercados financeiros poderiam sofrer quedas adicionais de 20% a 30%.
Para o economista, Trump não recuará desta vez, pois um cessar-fogo frágil que mantenha a ameaça iraniana sobre Ormuz seria desastroso. Ele argumenta que, embora o início da guerra possa ter sido um erro, interrompê-la agora e permitir que o Irã ganhe “de facto” seria economicamente, financeiramente, geopoliticamente e eleitoralmente desastroso para Trump.
Fonte: Globo