O fenômeno climático El Niño surge como um fator determinante para o desempenho das empresas do setor elétrico brasileiro nos próximos meses. De acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, existe uma probabilidade de 80% de ocorrência do evento, o que impacta diretamente as projeções financeiras e a hidrologia nacional.
Impactos nas geradoras e distribuidoras
Relatório do Banco Safra aponta que o fenômeno altera a hidrologia, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. O aumento das chuvas nessas áreas eleva os níveis dos reservatórios e pressiona os preços de energia para baixo. Enquanto distribuidoras como Equatorial, Energisa e CPFL podem ser beneficiadas pelo aumento do consumo, geradoras com menor nível de contratação, como Axia e Copel, enfrentam riscos de curto prazo nos resultados.
Em contrapartida, a Auren tende a apresentar maior resiliência diante dessa volatilidade devido ao seu nível elevado de energia contratada. O cenário de preços deve se manter em torno de BRL 240/MWh, sustentado pela oscilação das fontes renováveis e pelos custos elevados de usinas térmicas, influenciados pela cotação do petróleo e gás.
Revisão de riscos e precificação
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) conduzem consultas públicas para revisar a metodologia de risco nos modelos de precificação. A pressão de entidades de consumidores por uma redução no peso de cenários hidrológicos severos pode resultar em preços médios menores a partir de 2027. Apesar das oscilações climáticas, o Safra mantém suas recomendações para o setor, considerando que os fundamentos de longo prazo permanecem inalterados.
Fonte: Moneytimes