O dólar à vista encerrou a sessão desta terça-feira em leve alta frente ao real, distante da máxima observada no dia, por conta do alívio observado no fim das negociações. O movimento se deu após o primeiro-ministro do Paquistão compartilhar nas redes sociais um apelo para um cessar-fogo de duas semanas. Apesar da melhora, o real terminou o dia entre as piores moedas, no ranking diário das 33 mais líquidas, ao lado de outras divisas emergentes.
Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar comercial registrou valorização de 0,17%, cotado a R$ 5,1549, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,1370 e encostado na máxima de R$ 5,1730. No exterior, o dólar avançava ante o peso colombiano e a rupia da Indonésia, mas caía ante o euro. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis outras moedas fortes, exibia queda.
Desde o começo da sessão o dólar exibiu um viés de valorização frente ao real. Ao longo da manhã, a dinâmica foi ganhando intensidade, à medida que cresceu a liquidez nos mercados. Operadores de câmbio disseram que o movimento era natural diante das incertezas e também diante do atual patamar do dólar, perto das mínimas do ano. No fim do pregão, porém, o dólar voltou a perder força diante da notícia sobre o Paquistão apelar para um cessar-fogo no Oriente Médio de duas semanas.
A XP aponta, em relatório, que no ano, a moeda brasileira apresenta a melhor performance entre as emergentes. “O real também supera a média dos pares nas janelas de 30 e de 60 dias úteis indicada por esse monitor”, afirmam os estrategistas. “A correlação do real com as moedas emergentes também tem estado acima da correlação dos pares entre si.”
Considerando janelas de 6 e de 12 meses, os estrategistas apontam que o real está mais apreciado do que seria esperado de acordo com o modelo de médio prazo da casa.
O banco ING, em análise diária sobre o mercado de câmbio, diz que o fracasso em um acordo de cessar-fogo poderia levar a intensos bombardeios contra a infraestrutura civil iraniana e a uma provável retaliação do Irã contra alvos equivalentes em seus vizinhos do Golfo, o que faria os preços da energia sofrerem uma nova alta. “Ninguém sabe se o prazo final representa mais uma demonstração de pressão máxima por parte da Casa Branca, mas até que haja notícias de um cessar-fogo, ou talvez um adiamento prolongado do prazo atual, é provável que o dólar continue valorizado”, diz em nota o chefe de mercados do banco.
Fonte: Globo