Profissionais dedicados e qualificados podem se sentir preteridos ao verem promoções e aumentos serem concedidos a colegas que, na percepção de quem foi deixado para trás, não possuem mérito superior.
Em muitas dessas situações, a decisão que impacta a trajetória profissional é tomada em conversas e ambientes onde o indivíduo não está presente. A explicação comum para tais desfechos é a Política corporativa, um conceito que nem sempre é totalmente compreendido.
Com base em extensa experiência em processos seletivos e entrevistas com executivos, observa-se que a competência técnica, embora essencial para ser considerado, raramente é o fator determinante para a promoção. A decisão final é frequentemente influenciada por interações e percepções formadas ao longo do tempo.
O Papel das Interações Informais
Reuniões breves, almoços ou mesmo conversas casuais no corredor podem moldar a percepção sobre um profissional. Essas interações, muitas vezes subestimadas, acumulam-se e influenciam o julgamento em momentos decisivos. A promoção, em muitos casos, é apenas confirmada em reuniões formais, mas a base para ela é construída em outros contextos.
A Política Corporativa Além do Óbvio
O termo “Política” é frequentemente usado como um atalho para explicar injustiças percebidas no ambiente de trabalho. Embora o sistema corporativo possua vieses e interesses, atribuir tudo à política pode levar à terceirização da própria carreira. É crucial reconhecer as imperfeições do sistema, mas sem deixar que isso impeça a construção ativa do próprio percurso profissional.
Construindo o Material para Decisões
A carreira não é um jogo totalmente justo, e entender essa dinâmica é um passo para a lucidez. Em vez de focar apenas nas falhas do sistema, o profissional deve concentrar-se em construir ativamente o que está sob seu controle. Isso envolve as interações diárias, a forma como se lida com colegas e a disposição em compartilhar créditos.
Reputação: O Que Sobra das Interações
A competência técnica coloca o profissional na lista de potenciais candidatos, mas a reputação, construída através de comportamentos consistentes, é o que define a escolha. A maneira como se lida com a pressão, o tratamento dispensado a subordinados e a disposição em ajudar colegas sem esperar algo em troca são fatores decisivos. A percepção coletiva sobre um indivíduo, formada ao longo do tempo, é o que prevalece quando seu nome é mencionado em discussões sobre promoções.
A pergunta fundamental para quem se sente injustiçado não é apenas se a decisão foi justa, mas o que foi dito sobre ele nas conversas das quais não participou. A construção da percepção sobre um profissional ocorre continuamente, e é essa percepção que, muitas vezes, determina o seu futuro na empresa.
Fonte: Estadão