O consórcio, modalidade de compra planejada, expandiu suas possibilidades para além da aquisição de veículos e imóveis. Atualmente, é possível utilizá-lo para a compra de serviços, reformas, equipamentos e até mesmo para a abertura de negócios.
Pércio Arraes, especialista em consórcio e sócio do Grupo Nexco, destaca que o produto evoluiu significativamente, oferecendo um leque mais amplo de aplicações. No entanto, Bruno Borges, CPO e CMO do Mycon Consórcios, alerta que a carta de crédito possui uma finalidade definida desde o início, não sendo um dinheiro livre.
Expansão de usos do consórcio
O consórcio tem sido cada vez mais utilizado para organizar gastos relevantes ao longo do tempo, como educação, procedimentos médicos e reformas, que muitas vezes não se encaixam no orçamento imediato. Pedro Afonso Gomes, economista e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), menciona que já existem planos voltados para cirurgias, cursos, construção, eventos e até iniciativas ligadas ao trabalho.
Essa flexibilidade se estende a projetos pessoais, como viagens e intercâmbios, e a decisões relacionadas à geração de renda, como a aquisição de equipamentos profissionais ou o início de um novo negócio.
Outro uso em ascensão é o consórcio como ferramenta de reorganização financeira. Em alguns casos, a carta de crédito pode quitar um financiamento existente, substituindo uma dívida com juros por uma estrutura baseada em taxa de administração, conforme aponta Pércio Arraes.
Limites e regras do consórcio
Apesar da variedade de usos, existem limites bem definidos para a aplicação do crédito. Após a contemplação, o valor não é entregue em dinheiro diretamente ao contemplado. A administradora realiza o pagamento diretamente ao fornecedor do serviço ou bem, mediante formalização.
Pedro Afonso Gomes explica que podem existir regras específicas, como a apresentação de orçamento ou contrato, a exigência de fornecedores com CNPJ e a aprovação da administradora. Dentro de uma mesma categoria, como imóveis, a carta de crédito pode ser utilizada para compra, construção, reforma, quitação de financiamento ou até a comercialização da carta contemplada.
Erros comuns ao usar consórcio
Os erros mais frequentes no uso do consórcio surgem no desencontro entre as possibilidades e as regras estabelecidas. Um dos principais equívocos é a expectativa de acesso imediato ao crédito.
Bruno Borges ressalta que muitas pessoas esperam a liberação do crédito sem considerar que a contemplação pode levar tempo, dependendo de sorteio ou lance. Sem uma estratégia clara, o processo pode se tornar dependente da sorte, aumentando o risco de frustração e desistência.
O consórcio funciona de maneira mais eficaz quando há planejamento e um objetivo bem definido, especialmente para decisões que podem aguardar. Em situações de urgência ou necessidade imediata de recursos, seu propósito pode se perder.
Fonte: Infomoney