A volatilidade econômica global, tensões geopolíticas e o avanço da inteligência artificial (IA) intensificam a pressão sobre os conselhos de administração no Brasil. Investidores esperam que os conselheiros atuem de forma cada vez mais preventiva, técnica e com capacidade de antecipar riscos.
Essas tendências foram identificadas no estudo “Tendências Globais de Governança Corporativa 2026”, da consultoria Russell Reynolds Associates, que ouviu mais de 1.200 líderes e conselheiros em 60 países, incluindo o Brasil.
Tendências para Conselhos Brasileiros em 2026
No contexto brasileiro, as principais tendências para 2026 incluem:
- Instabilidade econômica e incerteza política exigindo foco em saúde financeira, eficiência e liquidez.
- A IA se tornando uma responsabilidade central da governança corporativa.
- Supervisão de capital humano focada em cultura, desenvolvimento de liderança e planejamento de sucessão.
- Crescimento da importância da avaliação interna dos conselheiros e da responsabilização do conselho.
- Metas ambientais mais vinculadas a financiamento, gestão de riscos e eficiência operacional.
Jacques Sarfatti, sócio-diretor da Russell Reynolds Associates no Brasil, destaca que o ambiente se tornou mais exigente e imprevisível. A volatilidade econômica, a aceleração da IA e as tensões geopolíticas impulsionam os conselhos para um papel mais técnico e estratégico. No Brasil, soma-se a necessidade de equilibrar maturidade digital, responsabilidade socioambiental e diversidade.
O estudo aponta uma mudança de foco em relação a pesquisas anteriores. Temas como agenda ambiental e diversidade, que ganhavam força em 2024, perderam vigor para 2026. Isso reflete a maturação da agenda ESG nos conselhos e o aumento da pressão externa, com prioridade passando para execução, gestão de riscos e governança de tecnologias como a IA.
Desafio da Governança de IA
A governança da IA é apontada como o desafio mais complexo para 2026. Ela exige atuação contínua do conselho, supervisão ativa, novas competências técnicas e integração às estruturas de risco e compliance. Muitos conselhos ainda estão desenvolvendo familiaridade com o tema enquanto tomam decisões estratégicas.
A orientação para os conselhos é evoluir para um modelo mais dinâmico, técnico e integrado à estratégia do negócio. Isso envolve fortalecer o entendimento sobre IA, incorporar novas competências, ampliar o uso de análises de cenário e aprofundar a supervisão sobre riscos, garantindo que a dinâmica do conselho acompanhe a crescente complexidade dos temas em foco.
Fonte: Estadão