O jornalista americano Chris Hayes, em seu livro “Capitalismo da Atenção: Como a Atenção se Tornou o Recurso Mais Escasso do Mundo”, explora o desafio contemporâneo de manter o foco em meio a um fluxo constante de informações digitais. Hayes argumenta que a atenção, antes um bem pessoal, transformou-se em um ativo valioso para as grandes empresas de tecnologia (big techs).


Segundo o autor, as notificações constantes de redes sociais, aplicativos de mensagens e e-mails funcionam como um “canto da sereia”, atraindo e desviando o foco das pessoas. Ele compara essa dinâmica à mitologia grega, onde Odisseu se amarrou ao mastro de seu navio para resistir ao canto das sereias e não sucumbir ao perigo.
Hayes, que também é podcaster e comentarista político, observa que figuras como Donald Trump e Elon Musk dominam a arte de usar as redes sociais para ditar agendas e desviar a atenção de assuntos delicados. A ascensão de plataformas como a Truth Social e a transformação do X (antigo Twitter) sob o comando de Musk exemplificam essa estratégia.
A obra de Hayes sugere que, assim como a Revolução Industrial explorou o trabalho físico, a revolução digital capitalizou a atenção humana. As big techs, como Apple, Microsoft, Alphabet (Google), Amazon e Meta, lucram com o engajamento gerado por likes, compartilhamentos e visualizações, transformando a atenção em matéria-prima para o mercado publicitário.
O autor enfatiza que “ter foco é ter poder”, embora não ofereça uma fórmula mágica para alcançá-lo. Ele sugere que a autodisciplina para resistir às distrações digitais é fundamental para reduzir o estresse e preservar a saúde mental. O livro também levanta questões sobre o futuro da mídia e da sociedade em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia.
Em um cenário onde a inteligência artificial amplia o acesso ao conhecimento, a verdadeira sabedoria reside na capacidade de selecionar informações e experiências relevantes, separando o que é essencial do que é supérfluo. A capacidade de manter o foco, mesmo que por poucos minutos, torna-se um diferencial valioso.
Fonte: UOL