A Bulgária enfrenta uma mudança significativa em seu panorama político após a vitória expressiva do partido Progressiva Bulgária, liderado pelo ex-presidente Rumen Radev. Com 44,7% dos votos apurados, a sigla conquista a maioria absoluta no parlamento, encerrando um ciclo de instabilidade marcado por sucessivas coalizões governamentais desde 2021.






O resultado das eleições parlamentares reflete o descontentamento do eleitorado com os partidos tradicionais, que sofreram derrotas expressivas. O partido de centro-direita GERB, liderado por Boyko Borissov, registrou menos de 20% dos votos pela primeira vez em sua história, enquanto o Partido Socialista Búlgaro não atingiu a cláusula de barreira necessária para manter assentos no legislativo.
Prioridades do novo governo
Radev assume o poder com uma agenda focada no combate à corrupção, controle da inflação e uma política externa que busca maior independência dentro da União Europeia. O novo governo terá como desafio imediato a aprovação do orçamento para 2026, o primeiro desde que o país adotou o euro em janeiro.
A estabilidade econômica é vista como a principal demanda da sociedade, conforme apontam especialistas. O governo eleito precisará equilibrar as expectativas de reformas judiciais com a necessidade de manter a coesão interna, especialmente em temas sensíveis como a política de comércio exterior e a gestão de recursos energéticos.
Desafios e política externa
A postura de Radev em relação à Rússia e ao conflito na Ucrânia permanece como um ponto de atenção para os parceiros europeus. Embora tenha sinalizado que não pretende vetar decisões conjuntas do bloco, o novo líder búlgaro defende uma abordagem pragmática, priorizando os interesses nacionais em questões de fornecimento de energia e industrialização.
O processo eleitoral também foi marcado por um rigoroso combate à compra de votos, com o Ministério do Interior reportando a apreensão de mais de 1,2 milhão de euros destinados a práticas ilícitas. A nova gestão agora se prepara para definir as diretrizes que guiarão o país em um momento de transição política e econômica sem precedentes nas últimas décadas.
Fonte: Dw