O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o potencial dos biocombustíveis brasileiros durante visita à Alemanha, ao mesmo tempo em que critica as atuais normas ambientais adotadas pela União Europeia. O mandatário argumenta que o Brasil detém vantagens competitivas na produção de energia limpa e pode ocupar um papel central na transição energética global.
Durante a Feira Industrial de Hannover, o chefe do Executivo afirmou que a Europa precisa superar o que descreveu como uma resistência ideológica aos combustíveis renováveis. A proposta brasileira envolve a comparação direta entre produtos nacionais e europeus para mensurar emissões de dióxido de carbono, com o argumento de que as regras vigentes ignoram práticas de sustentabilidade consolidadas no território nacional.
Impactos das normas ambientais no comércio
O governo brasileiro sustenta que o mecanismo unilateral de cálculo de carbono da União Europeia desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo do Brasil. Segundo autoridades, a manutenção de critérios que desconsideram as especificidades da matriz nacional pode dificultar o acesso de produtos ao mercado europeu e criar distorções na classificação ambiental.
Com uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, o país investe no etanol e no biodiesel como diferenciais competitivos. O objetivo é atrair novos investimentos internacionais e fortalecer a imagem brasileira como fornecedora estratégica em um cenário de demanda global por alternativas ao petróleo.
Acordo Mercosul e parcerias com a Alemanha
Além da pauta energética, o presidente defende a consolidação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O governo solicita maior engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do tratado seja convertida em permanente, visando a expansão comercial.
A Alemanha permanece como principal parceiro comercial brasileiro na Europa, com mais de 1.200 empresas operando no país. O governo federal busca aprofundar essa cooperação industrial através de avanços como a reforma tributária e novos projetos de infraestrutura.

Fonte: G1