Banco Central enfrenta desafio para conter persistência da inflação

Banco Central enfrenta desafio para conter persistência da inflação com alta do petróleo e expectativas desancoradas. Juros reais e câmbio ajudam.

A expectativa para a inflação oficial em 2024 subiu para 4,31%, um aumento em relação às previsões anteriores, impulsionada principalmente pela elevação do preço do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. A principal preocupação reside no impacto a médio e longo prazo sobre a inflação futura.

O impacto direto da alta do petróleo nos combustíveis no Brasil dependerá das decisões da Petrobras. Embora a redução de impostos pelo governo possa oferecer algum alívio, não será suficiente para neutralizar completamente o efeito da escalada do preço do barril.

A Petrobras deve implementar aumentos de forma gradual ao longo do ano. Mesmo assim, a projeção para o IPCA em 2026 indica um cenário mais próximo de 5% do que de 4%.

O choque de oferta também afeta outros itens da economia, como passagens aéreas, custos de frete e alimentos.

Impacto secundário e a política monetária

Um choque de oferta como este exige que o Banco Central utilize sua credibilidade para comunicar que reagirá apenas aos efeitos secundários, ou seja, o repasse da alta para setores não diretamente ligados ao petróleo. Isso significa que o Banco Central poderá reduzir a taxa Selic em um ritmo mais lento do que o previsto inicialmente.

A reunião de política monetária de março já demonstrou essa cautela, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, em vez dos 0,50 ponto esperados antes do conflito no Oriente Médio. O ciclo de cortes, que poderia levar a taxa básica para 12% ou 11%, agora deve se encerrar entre 12% e 13%.

Fatores de contenção e expectativas desancoradas

Dois fatores podem auxiliar o Banco Central a conter os efeitos secundários: o bom desempenho do câmbio, que se manteve estável em comparação com outras economias emergentes, e o nível ainda elevado dos juros reais. O juro real alto contribui para a estabilidade cambial e reforça a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo.

Por outro lado, há preocupação com o descolamento das expectativas de inflação de prazos mais curtos e longos. Quando as expectativas estão desancoradas, torna-se mais desafiador para a autoridade monetária controlar o repasse do choque de oferta.

As projeções para a inflação em 2027 e 2028 mostram elevações, e a expectativa para 2029 permanece acima da meta de 3%.

Política fiscal e inflação de serviços

A política fiscal pode ser um fator decisivo para auxiliar o Banco Central, especialmente em um ano eleitoral. A preocupação é que estímulos fiscais possam agravar a situação, considerando um hiato do produto ainda positivo, um mercado de trabalho aquecido e uma inflação de serviços que deve permanecer elevada.

Fonte: Estadão

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