Banco Central determina auditorias em precatórios do Banco Master

Banco Central determinou duas auditorias em precatórios do Banco Master, mas escritórios contratados não encontraram irregularidades nos ativos.

O Banco Central (BC) e sua diretoria colegiada determinaram, em duas ocasiões, a realização de auditorias externas nos precatórios do Banco Master. As auditorias, conduzidas por escritórios contratados, não identificaram irregularidades nos ativos.

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Os pareceres foram elaborados pelo escritório Galdino Advogados e pela KPMG, após alegações de agentes do mercado sobre a inexistência ou supervalorização desses ativos no balanço do banco. A compra desses ativos de risco, com menor liquidez, era um ponto de atenção no mercado e foco de investigações.

Em março de 2024, o BC solicitou ao Master um parecer sobre a comprovação de origem, existência, confirmação de valores, avaliação contábil e risco de recebimento dos precatórios. Também foi pedido o detalhamento do histórico de transferência do direito de recebimento.

Essas exigências constam em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o procedimento adotado pelo BC nas tratativas de mercado relacionadas ao Banco Master. O TCU aguarda investigações em curso na Controladoria-Geral da União (CGU) sobre ex-dirigentes do BC suspeitos de favorecimento.

O escritório Galdino Advogados informou que avaliou os processos e opinou sobre os riscos jurídicos e a expectativa de recebimento dos créditos, um serviço habitual no mercado de aquisição de precatórios. O escritório não comentou valores recebidos.

A KPMG, outra auditora contratada, também não apontou problemas durante sua atuação, mas informou ter deixado de ser auditora externa do Master a partir de 2025, citando cláusulas de sigilo.

Em dezembro de 2024, o balanço do Master indicava R$ 8,7 bilhões em direitos creditórios e precatórios. A KPMG avaliou os aspectos formais e processuais desses ativos, com base em confirmações dos assessores jurídicos externos do banco, considerando aceitável a mensuração e divulgação.

O TCU apontou que o BC intensificou o escrutínio sobre o conglomerado a partir de 2023, focando na composição e qualidade dos ativos, na avaliação de risco de crédito e na situação da carteira de precatórios. Em outubro de 2023, uma resolução do BC limitou o crescimento desses ativos no balanço do banco.

Investigações indicaram que o modelo de expansão do banco dependia da captação de recursos de longo prazo, aplicados em operações de crédito de baixa liquidez. O modelo gerava um descompasso entre ativos e passivos, com R$ 8,7 bilhões em precatórios e ações judiciais, e outros R$ 13 bilhões supostamente escondidos em fundos de investimento.

Fonte: UOL

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