A atual disputa entre estados unidos e China, somada aos conflitos no Irã e na Ucrânia, ocorre em um cenário de elevado endividamento público global. Governos destinam mais recursos para defesa e buscam reduzir a dependência de rivais, o que eleva a dívida em relação ao PIB e restringe a projeção de poder.
Os custos de financiamento dispararam, com o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos quase triplicando em cinco anos. Países como EUA, China, França, Reino Unido e Japão já possuem dívida pública bruta superior a um ano de produção econômica. A Rússia esgotou seu Fundo de Riqueza Nacional para financiar a guerra na Ucrânia, enquanto países do Golfo aumentam seus gastos para se defender do Irã.
O aumento dos custos de defesa é um fator relevante, com propostas para elevar o gasto militar nos EUA e o compromisso de membros europeus da OTAN em aumentar seus gastos. Governos também buscam reduzir o risco de chantagem, exemplificado pelo controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e o domínio da China sobre terras raras.
Fatores que Influenciam a Dívida
A forma como um governo gasta o dinheiro é crucial. Gastos em defesa podem impulsionar a produtividade se direcionados para pesquisa e desenvolvimento, como nos EUA. Em contrapartida, subsidiar o consumo de energia não contribui para o crescimento a longo prazo.
Passivos fora do balanço, como compromissos de pensões, também impactam as futuras cifras de dívida. O envelhecimento da população e a generosidade dos benefícios de aposentadoria são fatores determinantes. Países como China e Japão enfrentam desafios com o envelhecimento, enquanto a França lida com um sistema de pensões caro.
Empréstimos inadimplentes no setor privado podem repercutir nas dívidas governamentais, seja por meio de resgates a bancos ou pela desaceleração do crescimento. A forma como os governos se financiam também é importante; a dependência de investidores nacionais, como na China e na zona do euro, confere maior solidez.
Desafios Econômicos Globais
A capacidade de um governo suportar pesadas cargas orçamentárias depende da vitalidade de sua economia. Embora os EUA possuam um setor tecnológico próspero, políticas erráticas e restrições à imigração podem minar sua força. O modelo de exportação da China é insustentável, e a repressão política pode afetar a criatividade.
Estados ocidentais têm pouca margem para cortar gastos públicos ou aumentar impostos. Em contraste, China e Rússia possuem maior tolerância à dor, facilitada por governos autocráticos. No entanto, mesmo eles enfrentam limites, como a necessidade da Rússia de recorrer a tropas estrangeiras para a guerra na Ucrânia.
A dinâmica da dívida será um fator determinante na disputa de superpotências entre Washington e Pequim. Ambos enfrentam desafios, mas a China parece ter uma vantagem nesse aspecto.
Fonte: Cincodias