As exportações da China registraram um crescimento de 2,5% em março em comparação com o ano anterior, atingindo o menor patamar em seis meses. O resultado ficou abaixo da estimativa de 8,6% dos analistas e representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 21,8% nos primeiros dois meses do ano.
Por outro lado, as importações apresentaram um forte avanço de 27,8% em março, o maior desde novembro de 2021, superando as expectativas de 11,2% e acelerando em relação aos 19,8% registrados nos meses anteriores.
Cenário global e demanda
O conflito no Oriente Médio e a incerteza no cenário macroeconômico global parecem ter impactado a demanda externa, afetando o desempenho das exportações chinesas. Analistas apontam que a volatilidade nos preços do petróleo e a possibilidade de interrupções no fornecimento de energia criam um ambiente comercial complexo.
Apesar disso, a economia chinesa, que depende do comércio exterior, tem buscado mitigar os efeitos de choques energéticos através de suas reservas estratégicas de petróleo e uma matriz energética diversificada. A escala e eficiência do setor manufatureiro chinês também contribuem para uma maior resiliência em comparação com outros países exportadores.
Superávit comercial em queda
O superávit comercial total da China no primeiro trimestre de 2026 foi de US$ 264,3 bilhões, uma queda de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução ocorre após um recorde nos primeiros dois meses do ano, impulsionado pelo aumento dos valores das importações devido a restrições na oferta global.
As exportações para os Estados Unidos apresentaram um recuo de 26,5% em março. O comércio com o Oriente Médio também diminuiu em março, após dois meses de crescimento.
O aumento dos custos de matérias-primas e energia, decorrente do conflito no Oriente Médio, começa a impactar os custos de produção das empresas chinesas, ameaçando as margens já apertadas. Os preços ao produtor na China subiram 0,5% em março, a primeira alta em mais de três anos.
O índice de preços ao consumidor (IPC) registrou uma alta de 1% em relação ao ano anterior, abaixo das expectativas, refletindo a pressão contínua sobre a demanda doméstica.

Fonte: Cnbc