A Alemanha reafirma seu compromisso em apoiar a Ucrânia em sua defesa contra a Rússia, buscando tranquilizar o país em meio a incertezas sobre a continuidade da ajuda internacional. A eleição de Viktor Orbán na Hungria sugere um menor obstáculo europeu para o apoio contínuo.






Em conversas governamentais em Berlim, a Alemanha sinalizou que a Ucrânia pode continuar contando com seu suporte. A Alemanha é o segundo maior doador bilateral para a Ucrânia, tendo fornecido quase €100 bilhões em ajuda militar, financeira, técnica e humanitária desde o início da guerra, além de acolher mais de um milhão de refugiados ucranianos.
Ajuda militar
O montante de ajuda militar fornecida pela alemanha ou previsto para os próximos anos totaliza aproximadamente €55 bilhões. Isso inclui equipamentos e armamentos do estoque das Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr), bem como entregas financiadas pela indústria.
A Alemanha também treinou mais de 24.000 soldados ucranianos. O foco da ajuda militar mudou, com drones de combate ganhando proeminência em detrimento de tanques de guerra. A Alemanha está fornecendo drones de combate, alguns fabricados por Empresas alemãs na Ucrânia.
O Chanceler Friedrich Merz declarou que o envio de mísseis de cruzeiro Taurus para a Ucrânia não é mais uma questão relevante, pois o país agora fabrica suas próprias armas de longo alcance. O principal desafio para a Ucrânia, segundo Merz, é a falta de fundos, algo em que a Alemanha está disposta a ajudar.
A cooperação em produção de drones entre Ucrânia e Alemanha será expandida. Merz destacou a resiliência e a inovação da Ucrânia em defesa.
Ajuda civil e humanitária
A ajuda civil bilateral da Alemanha, excluindo a via União Europeia, soma cerca de €39 bilhões. Um foco importante é o setor de energia, com mais de €1,2 bilhão destinado a reparos e reconstrução de Infraestrutura energética, com ênfase em eficiência e energias renováveis.
Esforços de ajuda humanitária, em cooperação com organizações internacionais, garantem o fornecimento de cuidados médicos, alimentos e água potável, especialmente perto das linhas de frente.
Ajuda para refugiados
Mais de um milhão de refugiados ucranianos foram acolhidos na Alemanha. O governo federal apoia estados e municípios no acolhimento, oferecendo cursos de alemão, programas de integração e assistência para encontrar emprego. Aproximadamente metade dos refugiados em idade de trabalhar está empregada.
O Chanceler Merz também abordou a chegada de jovens ucranianos à Alemanha, solicitando esforços para que retornem à Ucrânia ou para evitar sua partida. Um centro de informações foi inaugurado em Berlim para auxiliar refugiados ucranianos que desejam retornar ao seu país.
Reconstrução e reformas
A Alemanha planeja a reconstrução da Ucrânia em colaboração com parceiros da UE e do G7, visando modernizar o país e facilitar sua integração na UE. A meta de 1º de janeiro de 2027 para a adesão plena, proposta pela Ucrânia, é considerada inviável por alguns estados membros.
A nova Hungria se opõe à adesão plena da Ucrânia à UE. O Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy enfatizou a necessidade de um exército ucraniano forte e não uma versão ‘light’ da UE ou OTAN.
Resistência da direita e da esquerda
O apoio alemão à Ucrânia enfrenta resistência de setores da direita e da esquerda. Críticas surgem em relação ao financiamento da ajuda, especialmente com a retirada gradual dos EUA. O ressentimento contra refugiados ucranianos é baixo, mas houve críticas sobre os benefícios recebidos.
Partidos como a Alternativa para a Alemanha (AfD) e o Partido de Esquerda (Die Linke) criticam a guerra e o apoio alemão, embora por razões distintas. A AfD busca restabelecer laços com a Rússia, argumentando a necessidade de energia russa barata e criticando o alto endividamento alemão.
Fonte: Dw