Autoridades iranianas e norte-americanas encerraram conversas de alto nível em Islamabad sem um avanço concreto, mas o diálogo permanece aberto. A reunião, realizada quatro dias após um cessar-fogo, marcou o primeiro encontro direto entre os países em mais de uma década.
As conversas ocorreram em alas separadas e uma área comum no Serena Hotel, com mediadores paquistaneses. Questões como o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais estiveram em pauta. Celulares não foram permitidos na sala principal, exigindo que os delegados saíssem para transmitir mensagens a seus governos.
Uma fonte do governo paquistanês relatou que, apesar da esperança inicial de um avanço, as coisas mudaram rapidamente. Outra fonte envolvida nas conversas indicou que as partes chegaram a ficar “muito perto” de um entendimento, mas esbarraram em decisões que não poderiam ser tomadas no local.
Tensões e divergências nas negociações
Fontes iranianas descreveram a atmosfera como pesada e hostil, embora o Paquistão tenha tentado amenizar o clima. No início da manhã de domingo, o ambiente melhorou e a possibilidade de estender o encontro foi cogitada. Divergências persistiram, com os EUA afirmando que os iranianos não compreenderam plenamente o objetivo de Washington de impedir o Irã de obter armas nucleares, enquanto Teerã desconfiava das intenções norte-americanas.
Posicionamentos oficiais e busca por desescalada
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã demonstrou interesse em fechar um acordo. Uma autoridade norte-americana confirmou o engajamento contínuo e algum progresso. A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, reiterou que a posição dos EUA não mudou, mantendo a linha vermelha de que o Irã nunca poderá ter uma arma nuclear.
Um diplomata baseado no oriente médio informou que as conversas entre mediadores e norte-americanos continuaram após a saída de Vance de Islamabad. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que ainda há um esforço total para resolver as questões.
Pontos centrais da disputa e demandas
Ambos os lados parecem ter motivos para buscar uma desescalada. Os ataques dos EUA são impopulares internamente e o estrangulamento do fornecimento de energia pelo Irã prejudica a economia global. Danos à economia iraniana podem enfraquecer as autoridades locais, especialmente após protestos recentes.
O ponto central da disputa é a crença ocidental e israelense de que o Irã busca uma bomba nuclear, o que Teerã nega. As exigências dos EUA incluíam o fim do enriquecimento de urânio, desmantelamento de instalações nucleares e fim do financiamento a grupos aliados. O Irã demandava cessar-fogo permanente, garantias contra ataques, suspensão de sanções e desbloqueio de ativos.
O diálogo travou em três pontos principais: o programa nuclear iraniano, o Estreito de Ormuz e o acesso a ativos congelados. Houve momentos de tensão, com vozes alteradas ouvidas durante as discussões. Representantes paquistaneses circularam entre as delegações para manter as conversas nos trilhos.
O tom de um dos negociadores iranianos tornou-se mais duro ao questionar a confiança nas garantias dos EUA, especialmente após um ataque conjunto dias antes de uma rodada anterior de negociações em Genebra. As delegações divergiram sobre o escopo de um eventual acordo, com Washington focando no dossiê nuclear e Ormuz, e Teerã buscando um entendimento mais amplo.
Nos estágios finais, os delegados dos EUA circularam com mais frequência. Washington vê com desconfiança negociações prolongadas com o Irã, considerando táticas de protelação. Apesar do impasse, o vice-presidente dos EUA indicou que novas interações são possíveis, apresentando uma “melhor e última oferta”.
Fonte: Infomoney