A Allos (ALOS3) estabeleceu uma parceria com a Kinea para a formação de um fundo imobiliário com valor estimado em R$ 2 bilhões. A iniciativa tem como objetivo impulsionar os dividendos distribuídos pela administradora de shoppings, setor que já se destaca em carteiras de renda variável.
O aporte de capital proveniente deste negócio tem o potencial de agregar até 8 pontos percentuais ao retorno em dividendos projetado para 2026, que atualmente se encontra em torno de 12%. Em um cenário otimista, o dividend yield (rendimento de proventos) anual poderá ultrapassar 20%.
Analistas de renomados bancos, como JPMorgan, Santander e Bradesco BBI, avaliaram a operação de forma positiva. O Santander ressaltou que os recursos obtidos com a transação são cruciais para manter os pagamentos de dividendos nos próximos anos. O Bradesco BBI enfatizou que o acordo com a Kinea não impacta a política de proventos da Allos.
Estrutura da Operação
A Allos receberá o montante do fundo em três etapas. A maior parcela, correspondente a 56% do total, será depositada em caixa imediatamente. Outros 24% serão pagos em cotas do próprio fundo, o que tornará a Allos cotista do Kinea Allos Malls FII, assegurando à empresa participação nos rendimentos distribuídos pelo veículo. Os 20% restantes serão pagos em um prazo de até quatro anos, com correção pela Inflação.
Considerando o valor mínimo da oferta, de R$ 790 milhões, a Allos receberia cerca de R$ 442 milhões em caixa. No valor máximo da oferta, de R$ 1,97 bilhão, este montante pode atingir aproximadamente R$ 1,1 bilhão, de acordo com projeções do Goldman Sachs.
A empresa permanecerá responsável pela administração dos sete shoppings que integram o fundo, incluindo empreendimentos como Villa Lobos, Metrô Santa Cruz e Plaza Sul, localizados em São Paulo. A Allos cobrará uma taxa de gestão anual de 0,8% sobre o patrimônio do fundo, que será dividida com a Kinea.
Perspectivas dos Analistas
O Bradesco BBI interpreta o negócio como um retorno da Allos à estratégia de venda de ativos maduros para a reciclagem de capital. Uma vantagem adicional é que o fundo terá prioridade na Aquisição de novos shoppings que a Allos eventualmente decida comercializar no futuro e poderá participar de novas aquisições conjuntas, estabelecendo um canal de negócios contínuo entre as companhias.
O JPMorgan aponta que a Allos negocia a múltiplos inferiores em comparação com rivais como Iguatemi e Multiplan, o que sugere um potencial de valorização. O banco avalia que a transação com a Kinea libera valor para o acionista sem comprometer o controle operacional dos shoppings alienados.
O Santander estima que, ao levar em conta as taxas de gestão que a Allos receberá, a operação se torna ainda mais vantajosa. O banco projeta um impacto positivo no valor da ação entre 0,7% e 2%, dependendo do montante total captado pelo fundo.
Recomendações de Mercado
JPMorgan, Santander e Bradesco BBI recomendam a compra da ação da Allos. Os preços-alvo estabelecidos são de R$ 40, R$ 38,50 e R$ 37, respectivamente. Estes valores superam o fechamento de R$ 32,29 da última sexta-feira e a cotação intradia de R$ 33 observada na segunda-feira (13).
O Goldman Sachs adota uma posição mais conservadora, mantendo recomendação neutra e preço-alvo de R$ 29. O banco reconhece o mérito da operação, mas sinaliza dois pontos de atenção: a qualidade de alguns shoppings incluídos no fundo e o recebimento parcelado de parte do pagamento ao longo dos próximos três anos. Ainda assim, o GS estima que a operação pode elevar o resultado por ação da empresa entre 4% e 10% em 2027.


Fonte: Infomoney