O Itaú BBA avalia que a Smart Fit (SMFT3) ainda oferece um retorno atrativo por unidade, com taxa interna de retorno (TIR) real entre 15% e 19% ao ano, superior ao custo de capital. Contudo, o setor de academias passa por uma fase de expansão intensa, com cerca de 550 novas unidades previstas para 2025 e planos igualmente agressivos para 2026.


A queda no número de alunos por unidade já reflete essa movimentação, indicando um ano mais desafiador e testando as vantagens competitivas da empresa. O modelo de negócio possui alto custo fixo, e a menor ocupação tende a pressionar as margens ao longo do tempo.
A avaliação das ações da Smart Fit, próxima de 10 vezes o lucro projetado para 2027, já considera parte desse risco. Por isso, o BBA reiterou a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 33.
Aumento da concorrência no setor
O Itaú BBA observa que Smart Fit, Bluefit e Selfit já mostram sinais de menor densidade de alunos por unidade madura, mesmo com a inclusão de usuários de agregadores. Preço e custos permanecem relevantes, mas o fator central agora é o equilíbrio entre oferta e demanda.
Nesse cenário, a Bluefit tem apresentado queda relevante de rentabilidade em 2025, enquanto a Selfit demonstra maior resiliência. Para 2026, o banco projeta um cenário desafiador.
Lucro por unidade da Smart Fit se destaca
No Brasil, a Smart Fit registrou aproximadamente 3.285 alunos por academia madura em 2025, uma redução de 2,9% em relação ao ano anterior. Essa tendência, que já reflete efeitos de competição e canibalização, deve continuar em 2026. O ticket médio aumentou 6,7%, impulsionado pela elevação de cerca de 7% no plano Black e pela menor diferença entre a receita de agregadores e clientes diretos.
A receita por unidade alcançou R$ 4,8 milhões ao ano, um crescimento de 3,6%, abaixo da Inflação. O lucro bruto atingiu R$ 2,05 milhões, com alta de 5,5% e margem de 48,5%, um avanço de 0,6 ponto percentual, sustentado pela disciplina de custos e aluguéis mais baixos em unidades mais novas.
Análise da Bluefit
Em academias maduras próprias, a Bluefit apresenta 2.852 alunos por unidade, número 13% inferior ao da Smart Fit. A penetração de usuários Wellhub é de um dígito alto, indicando uma leve queda anual no total de membros.
O ticket médio, incluindo agregadores, subiu 5,4% no ano e está 17,5% acima do valor da Smart Fit, refletindo preços mais altos no modelo avulso e menor penetração de agregadores. A receita bruta por unidade foi de R$ 4,9 milhões ao ano, com alta de 4,5%, abaixo da inflação e ligeiramente acima da Smart Fit.
O BBA aponta que o menor crescimento de receita já compromete a economia das unidades maduras, e manter os custos abaixo da inflação torna-se um desafio.
Desempenho da Selfit
A Selfit registrou receita bruta de R$ 3,6 milhões por unidade madura em 2025, uma queda de 1% anual e 24% inferior à Smart Fit. Embora não divulgue o número de alunos, o banco estima um aumento no ticket médio na casa de um dígito médio, o que sugere uma queda no volume de alunos por unidade.
A expansão de concorrentes de baixo custo fora de São Paulo e a competição com planos mais baratos de agregadores podem pressionar ainda mais a base de alunos em 2026. Por outro lado, o lucro bruto caixa foi estimado em R$ 1,38 milhão por unidade, com alta de 2,7% anual e margem de 44%, um avanço de 1,6 ponto percentual, evidenciando um forte controle de custos, embora ainda inferior ao da Smart Fit.
Fonte: Infomoney