A inadimplência de famílias argentinas com empréstimos bancários tem crescido, refletindo a deterioração do poder de compra em meio ao aumento da inflação e à redução de subsídios governamentais. Dados do Banco Central da Argentina indicam que a taxa de inadimplência familiar subiu para 10,6% em janeiro de 2026, um aumento significativo em comparação com os 9,3% de dezembro e os 2,8% registrados em dezembro de 2023, quando o presidente Javier Milei assumiu o cargo.

As medidas de austeridade implementadas por Milei, que incluíram cortes profundos nos gastos públicos para controlar a inflação, resultaram no primeiro superávit orçamentário do país em mais de uma década. No entanto, essas políticas geraram protestos, com cortes no financiamento de universidades públicas e pensões.
Analistas apontam que o aumento da inadimplência é um reflexo direto da redução da renda real. Negociações salariais que não acompanharam a inflação e o aumento das tarifas de serviços públicos, como eletricidade, gás e transporte, têm comprimido a renda disponível das famílias, afetando sua capacidade de honrar dívidas.
Impacto na renda familiar
A inflação anual na Argentina, embora tenha caído de 211,4% em 2023 para 117,8% em 2024 e projetada em 31,5% para 2025, ainda não foi suficiente para restaurar o poder de compra. A inflação mensal, por sua vez, acelerou, passando de 1,5% em maio de 2025 para 3% em março de 2026, segundo pesquisa do Banco Central.
Essa crise de renda tem levado muitos argentinos a acumular dívidas em cartões de crédito ou a contrair novos empréstimos para cobrir os anteriores. A situação é agravada pela expectativa de que os preços mais altos da energia global possam impulsionar a inflação novamente.
Inadimplência fora do sistema formal
Especialistas alertam que os níveis de inadimplência em empréstimos concedidos fora do sistema bancário formal podem ser significativamente maiores, possivelmente duas a três vezes superiores aos números oficiais divulgados pelo Banco Central.
A tendência de aumento da inadimplência sugere que a situação financeira das famílias argentinas continuará sob pressão nos próximos meses, com poucas perspectivas de melhora no curto prazo.
Fonte: Infomoney