Itamaraty: EUA ignoram diplomacia ao pedir saída de delegado da PF

Itamaraty critica EUA por não seguir boa prática diplomática ao pedir saída de delegado da PF envolvido na prisão de Ramagem e aplica reciprocidade.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou nota oficial nesta quarta-feira (22) criticando a conduta do governo dos Estados Unidos em relação à saída do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho do país. Segundo o Itamaraty, os EUA não seguiram a “boa prática diplomática” ao não buscar esclarecimentos ou diálogo antes de solicitar o retorno do agente brasileiro, que atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Em resposta à medida considerada sumária, o Itamaraty informou à embaixada americana que o Brasil aplicará o princípio da reciprocidade. Isso significa que um funcionário americano com funções análogas no Brasil terá suas credenciais de trabalho imediatamente interrompidas.

Princípio da Reciprocidade Aplicado

O comunicado brasileiro cita um memorando de entendimento entre os dois países, que prevê consulta mútua em casos de interrupção de atribuições de oficiais de ligação. O governo brasileiro ressaltou que toda a comunicação sobre o episódio, incluindo o aviso ao delegado e a reunião com a embaixada americana, ocorreu de forma verbal.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro já vinham manifestando insatisfação pela falta de notificação formal por parte dos EUA sobre o pedido para que o delegado Marcelo Ivo deixasse o país. A decisão de retirar as credenciais de um agente americano foi comunicada durante uma reunião com a encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly.

Contexto da Prisão de Ramagem

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, superintendente da PF na Paraíba, atuava em Miami junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA, com a função de identificar e prender foragidos da Justiça brasileira. Ele esteve envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, ocorrida em 13 de abril, após condenação por crimes como organização criminosa e tentativa de golpe de Estado. A PF havia informado que a detenção foi resultado de cooperação policial internacional.

O governo americano, por meio de sua embaixada, declarou que o delegado brasileiro tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” nos EUA. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a retirada das credenciais de um agente de imigração americano no Brasil por reciprocidade, mas ressaltou que o servidor não será expulso do país, assim como o delegado brasileiro não foi expulso dos EUA.

Fontes: G1 Globo

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