O poder financeiro e militar dos Estados Unidos, embora ainda forte, tem se mostrado menos decisivo em cenários globais de conflito. A fragilidade do dólar, exposta por eventos como a guerra no Irã e o conflito na Ucrânia, indica que a moeda já não garante a imposição automática dos interesses americanos.
A eficácia das sanções financeiras impostas à Rússia, por exemplo, foi limitada, demonstrando que países estão precificando riscos de forma antecipada e contornando o poder coercitivo do dólar. Embora a moeda americana continue sendo a principal no sistema global, tanto em reservas quanto em transações, observa-se uma mudança no comportamento dos bancos centrais.
O aumento das reservas em ouro e a celebração de acordos bilaterais em moedas locais sinalizam uma estratégia para reduzir a exposição ao dólar. Essa busca por alternativas, contudo, pode levar a um sistema financeiro mais fragmentado, com maior volatilidade cambial e custos de transação elevados.
No campo militar, a escalada de conflitos amplia custos humanos e políticos, corroendo a legitimidade das ações americanas e expondo os limites do poder mobilizado. A erosão da autoridade é evidente, com decisões agressivas produzindo efeitos incertos e, por vezes, contraproducentes.
A forma como o poder é exercido tornou-se mais relevante do que o seu tamanho. A ação dos Estados Unidos, ao ampliar perdas humanas e sociais, torna-se não apenas ineficiente, mas moralmente insustentável, esvaziando o sentido da força empregada.
Fonte: Estadão