O Ibovespa atingiu um novo recorde nesta quinta-feira (8), superando os 195 mil pontos pela primeira vez, impulsionado pela expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio e pelo contínuo fluxo de capital estrangeiro. O principal índice da B3 renovou máximas históricas pelo segundo pregão consecutivo, fechando em 195.129 pontos.
A valorização acumulada pelo Ibovespa em abril é de 4,09%, e no ano, o avanço chega a 21,10%. O giro financeiro permaneceu elevado, totalizando R$ 37,2 bilhões. Nos Estados Unidos, os principais índices também fecharam em alta, com o Dow Jones subindo 0,58%, o S&P 500 avançando 0,62% e o Nasdaq registrando alta de 0,83%.
Segundo analistas, o anúncio de um possível cessar-fogo abriu espaço para a recuperação dos mercados e um alívio na volatilidade, apesar dos riscos remanescentes no Oriente Médio. A perspectiva de um fim para o conflito trouxe a calmaria necessária para a bolsa brasileira continuar batendo recordes.
Bolsa brasileira atrativa para investidores estrangeiros
Com a recente valorização e a queda do câmbio, o Ibovespa atingiu 38.537 pontos em dólar, indicando que as ações brasileiras ainda apresentam um valuation atrativo para o investidor estrangeiro. O desempenho do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, também superou o avanço do Ibovespa, sinalizando um fluxo positivo vindo de fora.
Casas de análise como Morgan Stanley e JPMorgan destacam o Brasil como uma aposta relevante entre mercados emergentes, apoiado em fundamentos corporativos, exposição a commodities energéticas e valuation considerado atrativo.
Cessar-fogo melhora ambiente de risco, mas é visto como frágil
No cenário internacional, o mercado reagiu às sinalizações de avanço diplomático no Oriente Médio. A pressão por uma trégua no Líbano e o compromisso do Irã em permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz reduziram temores sobre disrupções no fluxo global de petróleo. No entanto, um cessar-fogo definitivo ainda é incerto.
Analistas apontam que, embora o alívio atual melhore o cenário de curtíssimo prazo, o conflito pode se arrastar por mais tempo. A situação é vista como frágil, mas significativamente melhor do que antes.
Fluxo estrangeiro sustenta rali da bolsa brasileira
A percepção de que o fluxo externo é o principal sustentáculo do rali da bolsa é compartilhada por especialistas. O patamar atual do Ibovespa reflete uma mudança estrutural na alocação global, com mercados emergentes voltando ao radar e o Brasil sendo um dos principais beneficiados.
A alta do Ibovespa não está concentrada em poucos papéis, com mais de 80% das ações do índice acima da média móvel de 200 dias, o que confere maior sustentação ao movimento. O Brasil se beneficia de juros reais elevados, atratividade do carry trade, fluxo estrangeiro consistente e expectativa de queda de juros.
Fonte: Infomoney