O conflito no Oriente Médio trouxe otimismo aos mercados, impulsionando a alta do Ibovespa e dos principais índices em Nova York. Nesse cenário, o dólar registrou forte queda desde quarta-feira (8), atingindo nesta quinta-feira (9) o menor patamar em dois anos, cotado a R$ 5,06. O movimento cambial coincidiu com um rali das ações e títulos governamentais, refletindo o retorno do apetite por risco após o anúncio de cessar-fogo.
Analistas consideram desafiador prever o nível exato de acomodação da divisa, especialmente em um momento de valorização do real frente ao dólar no cenário global. A menor exposição do Brasil ao conflito no Oriente Médio beneficia o cenário doméstico, segundo Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da Stonex. Essa distância faz com que investidores vejam o real como uma alternativa relativamente segura em busca de retorno com menor risco geopolítico.
“O Brasil, como exportador relevante — especialmente de petróleo —, se beneficia de preços mais altos, favorecendo a balança comercial e atraindo fluxos para empresas do setor energético, como a Petrobras”, afirma Bezzon. Outros fatores que sustentam o movimento incluem os juros ainda elevados no Brasil, que continuam atraindo capital estrangeiro, e as commodities em patamares mais altos. O especialista ressalta que, antes do conflito, o dólar já apresentava tendência de queda e deve retomar essa trajetória com a redução das tensões.
O que esperar do câmbio?
Diante da volatilidade atual, especialistas divergem sobre o nível que a moeda pode atingir. Bezzon sugere que a queda significativa já registrada no ano — de cerca de R$ 5,50 para próximo de R$ 5,10 — indica que parte relevante do movimento já foi precificada, o que poderia limitar novas baixas no curto prazo.
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, pondera que a manutenção de preços menores para o petróleo e a confirmação da queda do dólar podem abrir oportunidades para investidores. Ele recomenda cautela e gestão de risco na montagem de posições, sugerindo que há alternativas interessantes no dólar para quem deseja aumentar a exposição em portfólio no exterior ou em investimentos dolarizados.
Dólar abaixo de R$ 5?
Paula Zogbi, estrategista da Nomad, avalia que a moeda pode atingir um patamar inferior a R$ 5,00. Ela considera que o real se comportou de forma saudável durante o conflito no Oriente Médio, com picos próximos de R$ 5,30, mas se consolidando entre R$ 5,20 e R$ 5,25. O real teve um desempenho melhor que o DXY (índice que mede o valor do dólar frente a moedas fortes).
Com fundamentos favoráveis ao real, como fluxo estrangeiro, diferencial de juros e realocação de capital para emergentes, o petróleo se torna mais um vetor de apreciação cambial para a Nomad. Esse fator poderia aproximar a moeda brasileira da região de R$ 5,00. A casa também considera que a volta do índice dólar (DXY) a patamares mais baixos pode ser um gatilho importante para o fortalecimento do real e de outras moedas emergentes.
A alta recente do dólar globalmente foi impulsionada pela busca por segurança em meio ao conflito, interrompendo temporariamente a tese de um dólar estruturalmente mais fraco. Além disso, a política monetária dos EUA foi reprecificada, saindo de um cenário com dois cortes de juros projetados para praticamente nenhum.

Fonte: Infomoney