Dólar opera em forte queda e atinge menor patamar em dois anos

Dólar atinge menor patamar em dois anos, cotado a R$ 5,06, impulsionado por otimismo no mercado e fatores domésticos favoráveis ao real.
Notas de real e dólar em imagem de ilustração 18 de dezembro de 2024 REUTERS/Amanda Perobelli

O conflito no Oriente Médio trouxe otimismo aos mercados, impulsionando a alta do Ibovespa e dos principais índices em Nova York. Nesse cenário, o dólar registrou forte queda desde quarta-feira (8), atingindo nesta quinta-feira (9) o menor patamar em dois anos, cotado a R$ 5,06. O movimento cambial coincidiu com um rali das ações e títulos governamentais, refletindo o retorno do apetite por risco após o anúncio de cessar-fogo.

Analistas consideram desafiador prever o nível exato de acomodação da divisa, especialmente em um momento de valorização do real frente ao dólar no cenário global. A menor exposição do Brasil ao conflito no Oriente Médio beneficia o cenário doméstico, segundo Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da Stonex. Essa distância faz com que investidores vejam o real como uma alternativa relativamente segura em busca de retorno com menor risco geopolítico.

“O Brasil, como exportador relevante — especialmente de petróleo —, se beneficia de preços mais altos, favorecendo a balança comercial e atraindo fluxos para empresas do setor energético, como a Petrobras”, afirma Bezzon. Outros fatores que sustentam o movimento incluem os juros ainda elevados no Brasil, que continuam atraindo capital estrangeiro, e as commodities em patamares mais altos. O especialista ressalta que, antes do conflito, o dólar já apresentava tendência de queda e deve retomar essa trajetória com a redução das tensões.

O que esperar do câmbio?

Diante da volatilidade atual, especialistas divergem sobre o nível que a moeda pode atingir. Bezzon sugere que a queda significativa já registrada no ano — de cerca de R$ 5,50 para próximo de R$ 5,10 — indica que parte relevante do movimento já foi precificada, o que poderia limitar novas baixas no curto prazo.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, pondera que a manutenção de preços menores para o petróleo e a confirmação da queda do dólar podem abrir oportunidades para investidores. Ele recomenda cautela e gestão de risco na montagem de posições, sugerindo que há alternativas interessantes no dólar para quem deseja aumentar a exposição em portfólio no exterior ou em investimentos dolarizados.

Dólar abaixo de R$ 5?

Paula Zogbi, estrategista da Nomad, avalia que a moeda pode atingir um patamar inferior a R$ 5,00. Ela considera que o real se comportou de forma saudável durante o conflito no Oriente Médio, com picos próximos de R$ 5,30, mas se consolidando entre R$ 5,20 e R$ 5,25. O real teve um desempenho melhor que o DXY (índice que mede o valor do dólar frente a moedas fortes).

Com fundamentos favoráveis ao real, como fluxo estrangeiro, diferencial de juros e realocação de capital para emergentes, o petróleo se torna mais um vetor de apreciação cambial para a Nomad. Esse fator poderia aproximar a moeda brasileira da região de R$ 5,00. A casa também considera que a volta do índice dólar (DXY) a patamares mais baixos pode ser um gatilho importante para o fortalecimento do real e de outras moedas emergentes.

A alta recente do dólar globalmente foi impulsionada pela busca por segurança em meio ao conflito, interrompendo temporariamente a tese de um dólar estruturalmente mais fraco. Além disso, a política monetária dos EUA foi reprecificada, saindo de um cenário com dois cortes de juros projetados para praticamente nenhum.

Gráfico do valor do dólar em relação ao real ao longo do tempo.
Gráfico ilustra a variação do dólar.

Fonte: Infomoney

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