O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu a críticas de colegas nesta quinta-feira (9) por declarações sobre o Rio de Janeiro. Ele também enviou indiretas sobre o caso Master, que pode implicar integrantes da Corte, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Durante a sessão da Corte que discute se haverá eleição direta ou indireta para o mandato-tampão ao governo do Rio, Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino comentaram sobre a proximidade entre deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e organizações criminosas no Estado.
Em resposta, Fux, nascido no Rio, afirmou que há bons políticos no Estado e citou o caso Master. Ele declarou que a perplexidade sobre o Rio não seria tão grande se os colegas tivessem participado de julgamentos anteriores, como o mensalão, a Lava-Jato, o INSS e o banco Master. Fux ressaltou que os escândalos não são concentrados no Rio de Janeiro e que, se políticos maus tiverem que ir ao inferno, eles irão acompanhados de altas autoridades.
Investigações envolvendo o Banco Master estão em curso no STF, sob relatoria de André Mendonça. Desde o início do processo de liquidação do banco, em novembro do ano passado, reportagens indicam uma relação de proximidade do dono do Master, Daniel Vorcaro, com políticos e autoridades, incluindo ministros do STF. Vorcaro, que está preso, é suspeito de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, e negocia um possível acordo de delação premiada.
Rio de Janeiro enfrenta dificuldade institucional, aponta Dino
Gilmar Mendes foi o primeiro a se manifestar, destacando a necessidade de definir as eleições para o mandato-tampão no Rio para solucionar a instabilidade política, agravada pelo envolvimento com o crime organizado. Ele mencionou que mais de 30 parlamentares da assembleia recebem mesada do jogo do bicho e comparou a situação do Rio à frase sobre o México: “Tão longe de Deus, tão próximo de milícias e de outras coisas”.
Flávio Dino, que pediu vista do caso, ressaltou o contexto atual do Rio, lembrando de governadores presos e condenados, impeachments, afastamento de deputados estaduais e conselheiros do TCE. Ele afirmou que nenhum outro Estado brasileiro tem a situação do Rio de Janeiro e que não é possível julgar a questão burocraticamente, pois os fatos são “pujantes e únicos”.
Alexandre de Moraes relembrou o julgamento do assassinato da vereadora Marielle Franco, que, segundo ele, demonstrou a ligação das milícias de Rio das Pedras com membros da Alerj. Ele enfatizou que a infiltração do crime organizado na Alerj não é invenção.
Fonte: Globo