A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, admitiu nesta quarta-feira (8) que enfrenta divergências internas na Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar. Segundo ela, não há descumprimento do estatuto nem falta de diálogo, e a crise interna não inviabiliza sua candidatura ao Senado por São Paulo, ao lado de Márcio França (PSB).
“Não consigo imaginar que alguém possa propor me negar a legenda na Rede Sustentabilidade”, afirmou em entrevista à GloboNews.
As declarações surgem um dia após o diretório nacional do partido criticar sua decisão de permanecer na legenda. A Rede expressou “indignação e perplexidade” e acusou a ex-ministra de se recusar a dialogar com a direção partidária.
Em resposta, Marina Silva declarou que não pode “permanecer fazendo de conta que vários diretórios legitimamente eleitos foram dissolvidos e foram impostas direções provisórias”. Ela acrescentou: “Não posso negar que existem divergências em relação ao programa, ao estatuto e aos princípios fundantes pelos quais milhares de pessoas se mobilizaram para coletar assinaturas”.
“Isso não tem nada a ver com desrespeito ou falta de diálogo”, completou. “Como somos uma federação, quem vai assegurar a legenda é a federação. Não estou descumprindo, em nenhum milímetro, o estatuto, o programa e o manifesto da Rede Sustentabilidade.”
No último sábado (4), último dia da janela partidária, Marina Silva comunicou que permaneceria na legenda, com o objetivo de trabalhar na “restauração dos princípios e valores” da sigla, citando o manifesto de fundação para embasar sua decisão.
Na mesma ocasião, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Formalizou também sua candidatura ao Senado pela federação liderada pelo PSOL, ao lado de Simone Tebet, do PSB.
Ela anunciou a intenção de fortalecer alianças com PT, PSB, PV, PDT e PCdoB, partidos que classificou como os que “não se deixam capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo”.
A resposta do diretório nacional, assinada no domingo (5) e divulgada dois dias depois, foi direta. “As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita”, diz o comunicado.
O partido negou ter expulsado ou perseguido qualquer filiado e argumentou que jamais aplicou sanções a Marina Silva, mesmo em momentos de divergência aberta, como o apoio dela à candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) em 2014, a defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018.
“Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna”, afirma o texto, que acusa o grupo da ex-ministra de tentar paralisar o partido, judicializar impasses políticos e bloquear suas contas.
O partido acusou ainda o grupo de Marina Silva de praticar lawfare, termo em inglês usado para descrever o uso do sistema judicial como instrumento de disputa política, com o objetivo de enfraquecer adversários por meio de processos e litigância em vez de debate político convencional.
Ao final, o diretório reafirmou apoio a Lula e a Haddad e disse que todos os que desejarem fortalecer eleitoralmente a sigla são bem-vindos, desde que respeitadas “as regras partidárias e do bom convívio”.
Fonte: Estadão