Em sua primeira campanha presidencial, em 1989, Ronaldo Caiado apresentava-se como o candidato da direita e criticava Fernando Collor, a quem chamava de “almofadinha”.



O receituário econômico de Caiado naquela eleição antecipava teses liberais que se popularizariam nas décadas seguintes, como abertura comercial, redução de impostos, privatização e desregulamentação das leis trabalhistas.
Em entrevista à Folha em março daquele ano, defendeu jornadas de trabalho mais longas, de até dez horas diárias, algo distante do atual debate sobre o fim da escala 6×1.
“Se amanhã, para sairmos de uma crise, tivermos que trabalhar dez horas por dia, toda a sociedade vai trabalhar dez horas por dia”, afirmou.
Ligado aos ruralistas e ex-presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Caiado concorreu por um partido chamado PSD. Defendeu na campanha a exploração econômica da Amazônia e condenou o “lobby imperialista” de ONGs e políticos estrangeiros que defendem a preservação da floresta.
Sua campanha teve também um lado folclórico, com imagens do candidato em um cavalo branco em eventos e na propaganda de TV. Em um dos programas eleitorais, mostrou uma imagem do médium Chico Xavier fazendo a profecia de que “um homem montado num cavalo branco dará personalidade ao Brasil”. Abertas as urnas, no entanto, ficou em décimo lugar, com apenas 0,68% dos votos.
Fonte: UOL