A União Europeia se prepara para um choque energético prolongado e avalia medidas de emergência, como racionamento de combustíveis e liberação de petróleo de reservas estratégicas. O alerta foi feito pelo comissário de Energia do bloco, Dan Jorgensen, em entrevista ao Financial Times, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços internacionais de petróleo e gás.


Segundo Jorgensen, a crise atual não será passageira e deve manter os custos de energia elevados por um período considerável, com impacto direto sobre empresas e consumidores europeus. Ele afirmou que “esta será uma crise longa” e que, para alguns produtos mais críticos, o cenário tende a piorar nas próximas semanas.
Medidas de contingência em análise
Em Bruxelas, a Comissão Europeia analisa um pacote de contingência que inclui desde esquemas de economia voluntária de combustível até a possibilidade de racionamento formal, caso o fornecimento seja comprometido. A liberação de volumes adicionais das reservas estratégicas de petróleo também está em pauta.
“É melhor estarmos preparados do que nos arrependermos depois”, disse o comissário, ressaltando que o bloco trabalha com hipóteses de pior cenário para garantir segurança energética.
Resposta coordenada e alternativas
Em reunião de emergência com ministros de Energia, Jorgensen defendeu uma resposta coordenada entre os países da UE para reduzir o consumo de petróleo e gás e preservar estoques. Entre as recomendações, estão programas de economia voluntária, incentivo ao transporte público e até a reedição de “domingos sem carro”, medida adotada na crise do petróleo da década de 1970.
O comissário também sugeriu o adiamento de manutenções em refinarias para manter a capacidade produtiva ativa e o uso ampliado de biocombustíveis como alternativa parcial ao petróleo.
Impacto nos mercados e inflação
Os movimentos ocorrem em um contexto de forte estresse nos mercados de energia. De acordo com estimativas citadas por Jorgensen, o petróleo já acumula alta em torno de 70%, enquanto o gás natural sobe cerca de 50%, reacendendo preocupações com inflação, custos industriais e competitividade do setor produtivo europeu.
A situação energética na Europa reflete a volatilidade dos mercados globais, com potenciais impactos na economia brasileira.
Fonte: Infomoney