A colunista Djamila Ribeiro destaca como a chamada “machosfera” explora a frustração sexual de jovens, utilizando conteúdos que exaltam a masculinidade e desprezam mulheres. Essa mobilização, conhecida como movimento red pill, é financiada por indústrias de apostas, criptomoedas e jogos de azar online, muitas vezes fraudulentas.



O documentário “Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera” expõe essa realidade, mostrando influenciadores que, apesar de promoverem mulheres em conteúdos pornográficos, as retratam de forma depreciativa. O teor racista e homofóbico das mensagens disseminadas por essas figuras também é revelado.
A metáfora da “pílula vermelha”, originária do filme “Matrix”, que representa um convite ao despertar político e à visão da estrutura que aprisiona, foi apropriada pela “machosfera”. O movimento distorce seu significado para justificar a dominação masculina e práticas misóginas, ignorando personagens femininas cruciais do filme, como a Oráculo e Trinity, que representam resistência e passagem entre portais.
A narrativa da “machosfera” se assemelha à do personagem Cypher, do filme “Matrix”, que, obcecado por uma ilusão de conforto e poder, trai a resistência para retornar a um mundo de mentiras. A colunista sugere ironicamente a criação de um canal “Patrix” onde influenciadores desse universo reclamariam de suas frustrações, culpando figuras femininas por seus infortúnios.
Fonte: UOL