O turismo de compras na Espanha atingiu um novo patamar, impulsionado pelas vantagens fiscais oferecidas a viajantes de fora da União Europeia. Dados recentes da Agência Tributária espanhola indicam um aumento expressivo tanto no número de reembolsos de IVA quanto no valor total devolvido em compras realizadas por turistas extracomunitários durante suas estadias no país. Em 2025, foram registradas 10,6 milhões de devoluções, um crescimento anual de 19,1%, totalizando 529 milhões de euros, um aumento de 10,4%.
Este recorde é atribuído, em parte, ao expressivo aumento do turismo latino-americano e à recuperação gradual do turismo asiático e do Oriente Médio. Esses grupos de viajantes possuem um poder aquisitivo significativamente maior em comparação com os mercados emissores tradicionais da Espanha, como Reino Unido, Alemanha e França. Enquanto o gasto médio diário por turista nesses países varia entre 100 e 200 euros, viajantes de destinos como Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, México, Argentina, Japão e Índia podem ultrapassar os 300 ou 400 euros diários. A maior duração das estadias, devido à distância geográfica, também contribui para um maior volume de gastos.
Turistas extracomunitários que visitam a Espanha podem solicitar o reembolso do IVA (21%) sobre compras destinadas ao consumo pessoal e que sejam transportadas em sua bagagem. Desde 2018, não há mais a exigência de um valor mínimo por transação para a aplicação dessa dedução, diferentemente de países como França e Itália, onde os benefícios fiscais se aplicam a partir de 100 e 70 euros por transação, respectivamente. Essa vantagem competitiva tem sido fundamental para quase dobrar o número de devoluções desde 2019 e aumentar o valor devolvido em 60%.
O processo de reembolso na Espanha é realizado por meio do sistema digital DIVA (Devoluções de IVA por Compras de Viajantes), gerenciado pela Agência Tributária. O procedimento pode ser concluído em balcões específicos nos estabelecimentos comerciais ou nos aeroportos. Ainara Andueza, diretora geral na Espanha da Global Blue, uma das maiores administradoras de devoluções de impostos, observa que o crescimento mais moderado do gasto em comparação com o número de operações pode ser explicado pela entrada de novos operadores no mercado, além das tradicionais marcas de luxo. A digitalização e os avanços tecnológicos têm incentivado o comércio a se posicionar como referência em turismo de compras, democratizando o acesso para além das grandes grifes, com a participação ativa de redes como Inditex, Mango e Primark, o que tende a reduzir o valor médio por compra.
Andueza também destaca que grandes companhias internacionais consideram o turismo de compras isento de IVA uma linha de negócio prioritária, monitorando de perto o gasto médio e as estratégias para atrair diferentes nacionalidades. A ascensão do turista argentino como o de maior crescimento nesta área, superando o mexicano que liderava anteriormente, também influenciou a redução do gasto médio, pois argentinos e mexicanos tendem a comprar em locais e produtos distintos. Apesar dessas mudanças, o mercado norte-americano, incluindo Estados Unidos e América Latina, continua sendo o mais relevante para as compras isentas de IVA na Espanha, respondendo por uma parcela significativa do volume de negócios.
O dinamismo do mercado americano, em contraste com a recuperação mais lenta do mercado chinês, tem levado Madrid a concentrar quase metade dos gastos associados a essas compras. Barcelona, por outro lado, tem sido afetada por sua maior dependência do mercado asiático, que ainda não retornou aos níveis pré-pandemia. A menor participação no mercado latino-americano e a mudança no perfil do viajante chinês, que agora explora outros destinos como o Japão, também impactaram negativamente a cidade.
Fonte: Elpais