O partido Tisza, liderado por Péter Magyar, venceu as eleições na Hungria neste domingo (12), conquistando a maioria no Parlamento e pondo fim a 16 anos de governo de Viktor Orbán. Com 95,63% das urnas apuradas, o Tisza obteve 137 das 199 cadeiras em disputa, segundo o órgão eleitoral nacional (NVI).

O partido Fidesz, de Orbán, ficou com 55 assentos, enquanto o Mi Hazánk alcançou 7. A legenda de centro-direita de Magyar formará o próximo governo.
Após a confirmação da vitória, Péter Magyar declarou que representará todos os húngaros e que os responsáveis por fraudes no país serão responsabilizados. Ele também solicitou a renúncia de autoridades judiciais e de mídia. Magyar assegurou que a Hungria será uma forte aliada da União Europeia e da OTAN, e que a transição de poder será pacífica.
Viktor Orbán admitiu publicamente a derrota, afirmando que o resultado eleitoral foi doloroso, mas claro. Orbán, um dos principais nomes da extrema direita global, governou a Hungria por 16 anos consecutivos desde 2010, após um primeiro mandato entre 1998 e 2002.
O cenário político húngaro e a ascensão de Magyar
Durante seus mandatos, o Fidesz de Orbán reescreveu a Constituição e aprovou leis visando uma “democracia cristã iliberal”. Suas políticas restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias. Apesar disso, medidas antimigração e uma postura nacionalista mantiveram o apoio popular, embora tenham gerado atritos com a União Europeia.
A economia estagnada e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo levaram Orbán a perder força. Péter Magyar, líder do partido Tisza (Respeito e Liberdade), ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais, ao mesmo tempo em que defende políticas conservadoras de combate à imigração.
Magyar, que inicialmente se inspirou em Orbán, afastou-se do premiê, acusou o governo de corrupção e mudou de partido. Sua campanha focada em redes sociais e discursos patrióticos o posicionou como um opositor ao sistema, impulsionando sua popularidade nas pesquisas.
Interferência estrangeira e alianças internacionais
Orbán, conhecido por construir alianças com líderes como Vladimir Putin e Donald Trump, recebeu apoio explícito de Trump durante a campanha. O ex-presidente dos EUA recebeu Orbán na Casa Branca e publicou mensagens de apoio, enquanto seu vice, J.D. Vance, acusou a União Europeia de tentar interferir nas eleições húngaras.
A participação eleitoral foi recorde, com 66% dos eleitores comparecendo às urnas. A eleição foi considerada uma das mais importantes da Europa em 2026.
Fonte: G1