O Tesouro IPCA+ apresenta oportunidades de ganho de capital para investidores que buscam aproveitar a possível convergência dos juros reais brasileiros. Com a recente queda nas taxas dos títulos públicos, a estratégia de alocação em papéis com duration intermediária ganha força entre gestores de recursos, que consideram os prêmios atuais exagerados diante do cenário macroeconômico.

Impacto da marcação a mercado
Levantamentos indicam que um recuo de 50 pontos-base nos juros reais é suficiente para que títulos com duration superior a seis anos superem a rentabilidade projetada do CDI. Em vencimentos como 2032, esse movimento pode resultar em retornos positivos em um horizonte de 12 meses. Contudo, especialistas alertam que vencimentos muito longos, como o 2050, elevam a volatilidade e o risco de perdas em cenários de abertura da curva.
Análise do risco-país
A percepção de que o prêmio dos títulos de inflação está descolado dos fundamentos baseia-se na comparação do juro real ex-ante brasileiro com outros mercados emergentes. O Brasil mantém um dos maiores juros reais do mundo, mesmo ao ser comparado com nações que apresentam riscos fiscais ou geopolíticos distintos. O CDS brasileiro, que mede o risco de crédito, mostra um contraste evidente quando confrontado com pares, sugerindo uma precificação cautelosa pelo mercado.
Sustentabilidade da dívida pública
A trajetória da dívida pública brasileira, sob a ótica de juros reais elevados e crescimento moderado do PIB, aponta para a necessidade de um ajuste estrutural. A tese de investimento atual sustenta que a convergência dos juros é um movimento esperado para a sustentabilidade fiscal. Além do potencial de valorização, o Tesouro IPCA+ atua como uma proteção contra pressões inflacionárias, oferecendo uma convexidade que mitiga riscos em cenários adversos.
Fonte: Infomoney