Em abril de 2025, Donald Trump anunciou a imposição de tarifas alfandegárias globais, visando a “independência econômica” dos Estados Unidos. Embora a Suprema Corte tenha posteriormente contestado a medida, o presidente demonstrou intenção de mantê-la. Uma análise de dados comerciais revelou os efeitos dessas tarifas no comércio internacional e quem se beneficiou ou foi prejudicado.






Anúncio das Tarifas de “Dia da Libertação”
Sob as tarifas do “Dia da Libertação”, a Casa Branca estabeleceu uma tarifa base de 10% sobre todas as exportações para os EUA, com exceções para países sob sanções ou com acordos comerciais pré-existentes. Adicionalmente, 85 países com balança comercial positiva com os EUA enfrentaram tarifas mais altas, podendo chegar a 50%. A medida gerou instabilidade nos mercados globais.
Em resposta à volatilidade, Trump anunciou uma pausa de 90 dias para tarifas acima da taxa base de 10%. Durante esse período, diversas nações, como a União Europeia, Vietnã e Reino Unido, buscaram negociar acordos comerciais para reduzir as tarifas impostas. As negociações com a China foram particularmente tensas, com tarifas recíprocas chegando a 125%.
As tarifas específicas por país entraram em vigor em agosto de 2025, após várias extensões da pausa inicial. Essa incerteza levou empresas a buscarem alternativas em países com tarifas menores.
Antecipação e Adaptação das Empresas
Antes mesmo da implementação das tarifas, empresas americanas aumentaram significativamente seus pedidos de importação entre janeiro e março de 2025, antecipando o aumento de custos. Houve um acréscimo de cerca de 20% em relação à média de 2022-2024, totalizando aproximadamente US$ 184 bilhões.
A suspensão temporária das tarifas permitiu que importadores americanos ajustassem suas cadeias de suprimentos. Estudos indicam que as empresas buscaram ativamente transferir suas operações para países com tarifas alfandegárias mais baixas. A China, em particular, sofreu uma redução significativa nas exportações para os EUA.
Países como Austrália e nações da América Latina, classificados como “países de 10%”, foram beneficiados. No entanto, países como Vietnã, Tailândia e Taiwan, apesar de enfrentarem tarifas elevadas, registraram um aumento nas exportações para os EUA, pois eram vistos como substitutos potenciais para a China, com cadeias de suprimentos já estabelecidas.
Impacto nos Consumidores Americanos
As tarifas não resultaram no retorno da produção para os EUA, e alguns setores enfrentaram dificuldades. Em contrapartida, a receita alfandegária dos EUA triplicou em 2025, atingindo US$ 287 bilhões. Essa carga financeira foi majoritariamente absorvida pelos importadores americanos, o que se traduziu em um aumento de custos para os consumidores.
Estima-se que cada família americana tenha arcado com cerca de US$ 1.000 em 2025 devido às tarifas, seja pelo aumento de preços, redução de investimentos, cortes de empregos ou diminuição de salários.
Incerteza no Comércio Internacional
O cenário internacional pós-agosto de 2025 foi marcado por acordos comerciais instáveis e novas ameaças tarifárias. A incerteza sobre as políticas comerciais dos EUA tornou-se um fator predominante.
A decisão da Suprema Corte em fevereiro, que invalidou a base legal das tarifas originais, adicionou mais complexidade. Com uma nova taxa base de 15% e a determinação da administração americana em implementar tarifas mais altas, exportadores e importadores enfrentam um futuro imprevisível. A diversificação de mercados e cadeias de suprimentos fora dos EUA é vista como uma estratégia para aumentar a resiliência.
Fonte: Dw