Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) resistem à realização de duas eleições diretas para o governo do Rio de Janeiro neste ano. Em caráter reservado, integrantes da Corte alertam para entraves logísticos e descartam essa opção.
Uma das alternativas em discussão é a realização de eleição indireta na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para escolher quem ocupará o cargo até 31 de dezembro. A votação de outubro para eleger o titular do mandato que começa em 2027 seria mantida.
Outra possibilidade é manter o desembargador Ricardo Couto interinamente no governo até o fim do ano, caso os ministros do Supremo não cheguem a um consenso no plenário. Nesse cenário, a eleição de outubro também seria mantida.
Um ministro do Supremo avalia que a organização de uma eleição direta extra no Rio neste ano exigiria mais de 100 dias, prazo utilizado por Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) em estados menores.
A alternativa de realizar apenas uma eleição neste ano, unindo o restante do mandato atual e o próximo, não encontra apoio suficiente no Supremo. Essa opção foi aventada por Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes na sessão de quarta-feira.
Segundo um integrante do tribunal, esse cenário daria pouco tempo para a população conhecer as propostas dos candidatos.
O imbróglio em torno do governo do Rio começou após o mandato de Cláudio Castro ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso chegou ao STF, que agora precisa decidir a forma de escolha do ocupante do cargo até o fim do ano.
O julgamento iniciou na quarta-feira, com os votos de Cristiano Zanin, que defende eleições diretas, e Luiz Fux, que se posiciona a favor de eleições indiretas. Os outros oito ministros devem votar nesta quinta-feira.
Com um número par de ministros no plenário, há risco de empate. Existe uma brecha regimental para que o presidente do tribunal, Edson Fachin, profira o voto de qualidade para desempatar.
No entanto, fontes próximas ao ministro consideram essa hipótese pouco provável. A expectativa é que o colegiado chegue a uma solução na sessão desta quinta, com uma discussão que se prevê ainda mais tensa do que a de quarta.
Fonte: Estadão