A jornada de Cláudia Oliveira em direção à compreensão da morte começou na infância, após a perda de sua rolinha. A menina, insatisfeita com a forma como o evento foi tratado, descobriu um chamado para trabalhar com o tema. Criada em um lar onde a morte era vista como parte natural da vida, Cláudia buscou especialização em tanatologia, a ciência que estuda a morte de maneira ampla e interdisciplinar.




Ainda sentindo que faltava algo em sua formação, Cláudia encontrou inspiração em uma reportagem sobre doulas da morte. Essa descoberta a levou a se matricular em um curso online, onde aprendeu a importância de se desprender de conceitos preestabelecidos para viver plenamente a verdade sobre o fim da vida. A experiência foi descrita como transformadora pelas participantes.
Utilizando seu perfil no Instagram, Cláudia (@thanatos_psique) promove um diálogo aberto para desmistificar a temática da morte. Ela introduz seus vídeos com a saudação “Bom dia, belos mortais!” e compartilha informações sobre o projeto “Dançando com a Morte”. Esta iniciativa, que une forró, cultura mexicana e psicologia, debate o fim da vida no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
O projeto, com dois anos de existência, surgiu da necessidade de colegas de uma aula de forró em discutir o fim da vida. Alberto Barreto, participante, destaca a importância de perceber que outros compartilham sentimentos semelhantes. Cláudia aplica técnicas de psicoeducação e psicodrama, incentivando a expressão criativa e o debate sem julgamentos, abordando tanto o conceito quanto as emoções envolvidas.
A transformação em La Catrina, figura icônica do Dia dos Mortos mexicano, marca um momento especial nos encontros. Ao se caracterizar, Cláudia se apresenta como a própria Morte, alterando a forma de se dirigir aos participantes. Para ela, falar de morte é falar de vida, pois a finitude nos chama à consciência da brevidade. A doula lamenta a tendência de se abordar a morte apenas em contextos de doença ou tragédia. Ao som do forró, os participantes encerram os encontros com menos medo e mais esperança.
Fonte: UOL