Notícias sobre as relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro têm gerado repercussão, mas sem ações concretas por parte do Congresso Nacional. Este cenário levanta preocupações sobre o aparelhamento de órgãos de investigação e o sistema de freios e contrapesos da República.
As revelações, impulsionadas pelo trabalho investigativo da imprensa, apontam para contratos e viagens envolvendo ministros do STF e empresas ligadas a Vorcaro. Contra o ministro Alexandre de Moraes, pesam um contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, trocas de mensagens durante a primeira prisão de Vorcaro e viagens em avião de uma empresa do ex-banqueiro.
O ministro Dias Toffoli está envolvido na venda de participação de um resort de luxo no Paraná ao ecossistema do Master, foi relator do caso e brecou investigações, além de ter utilizado jatinhos da empresa de Vorcaro. O ministro Nunes Marques também foi citado após uma consultoria tributária, que recebeu dinheiro do banco, subcontratar seu filho.
Representações feitas por parlamentares à Procuradoria Geral da República (PGR) sobre o caso foram consideradas improcedentes. O PGR, Paulo Gonet, participou de um evento promovido por Vorcaro em Londres. Tentativas de investigação via Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Congresso foram barradas pelo STF, com quebras de sigilo e tentativas de ouvir testemunhas impedidas. A prorrogação da CPMI do INSS foi negada pelo Supremo, e a expectativa é que a CPI do crime organizado tenha um desfecho semelhante.
CPIs específicas sobre o caso Master, propostas por presidentes da Câmara e do Senado, não avançaram. A avaliação de parte da oposição é que o caso Master expôs a existência de corrupção na mais alta corte do país e que o STF tem optado por blindagem em vez de autocontenção. Nos bastidores, parlamentares cogitam a possibilidade de impeachment de ministros do STF caso saiam vitoriosos nas próximas eleições.
Fonte: Estadão