Startups europeias de semicondutores buscam rodadas de financiamento milionárias para escalar o desenvolvimento de tecnologias alternativas às unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia. O movimento ocorre em meio ao crescimento da demanda por infraestrutura de inteligência artificial, com foco especial na eficiência para a fase de inferência de modelos.

A empresa holandesa Euclyd, que conta com o apoio de ex-executivos da gigante ASML, negocia um aporte de pelo menos 100 milhões de euros. O objetivo da companhia é viabilizar sistemas que prometem maior eficiência energética em comparação aos chips de última geração da líder de mercado norte-americana. Outras empresas, como a britânica Optalysys e a francesa Arago, também planejam captações expressivas ao longo de 2026.
O desafio da eficiência na inteligência artificial
A arquitetura das GPUs tradicionais, originalmente concebidas para jogos, enfrenta limitações técnicas ao lidar com a escala exigida pela inferência de IA. Especialistas apontam que o consumo de energia e o calor gerado por esses componentes tornam necessária a busca por novas arquiteturas, como os processadores baseados em fotônica, que utilizam luz para processar dados.
O setor de tecnologia na Europa enfrenta, contudo, barreiras estruturais. De acordo com dados de mercado, startups europeias captaram cerca de 800 milhões de dólares em 2026, volume significativamente inferior aos 4,7 bilhões de dólares levantados por concorrentes nos Estados Unidos. A falta de mecanismos de fomento público e a fragmentação das leis trabalhistas dificultam a escala dessas operações.
Geopolítica e soberania tecnológica
A busca por alternativas locais também é impulsionada por fatores geopolíticos. O controle de exportações dos Estados Unidos e a concentração da produção na TSMC geram um imperativo de soberania tecnológica na Europa. Investidores do setor, como o Nato Innovation Fund, reforçam que o desenvolvimento de silício doméstico tornou-se uma prioridade estratégica para garantir a infraestrutura de computação regional.
Apesar dos desafios, o interesse de fundos de capital de risco cresce à medida que a infraestrutura de IA se consolida como um pilar central da economia digital. A transição para novas plataformas de processamento é vista por analistas como um passo inevitável para superar os limites físicos dos semicondutores atuais.
Fonte: Cnbc