Seguro rural no Brasil: área protegida despenca 76% em cinco anos

Área de lavouras protegidas por seguro rural no Brasil despenca 76% em cinco anos, impactando arrecadação e expondo produtores a riscos climáticos.

A área de lavouras protegidas por seguro rural no Brasil sofreu uma drástica redução de 76,64% em apenas cinco anos. Em 2021, o país contava com 13,7 milhões de hectares segurados, número que caiu para 3,2 milhões de hectares no ano passado. Paralelamente, a arrecadação do setor em 2025 recuou R$ 1,3 bilhão.

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Os dados foram divulgados durante o evento Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio, em Brasília. A queda na arrecadação de seguros rurais em 2025 foi de 8,8%, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 12,9 bilhões.

Este cenário de encolhimento da área segurada contrasta com o aumento da área plantada total, que cresceu de 83,9 milhões de hectares em 2021 para 97,8 milhões no ano passado. Especialistas atribuem a redução da área segurada à diminuição dos recursos de subvenção ao prêmio do seguro rural, ao aumento do custo das apólices e a um ambiente de incerteza financeira no campo.

Contexto de Risco Ampliado

A redução da área segurada ocorre em um momento de aumento da frequência de eventos climáticos extremos, o que eleva a exposição ao risco e fragiliza a estabilidade das cadeias produtivas. Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), 95% das apólices são contratadas por pequenos e médios produtores rurais.

O cenário internacional, com guerras e tensões geopolíticas, e um ambiente doméstico de crédito restritivo e incerteza econômica também impõem riscos à capacidade produtiva. A falta de previsibilidade na subvenção ao prêmio e restrições orçamentárias agravam a situação.

Comparativo Internacional e Necessidade de Políticas Públicas

Representantes do setor apontam que, enquanto nos Estados Unidos 90% da área plantada possui seguro e a Europa conta com modelos eficazes, o Brasil tem uma abordagem governamental considerada míope. A economia de recursos com seguro rural, segundo executivos, resulta em gastos maiores com renegociação de dívidas de produtores.

A área segurada no Brasil representa apenas 3,3% da área plantada. A expectativa inicial para este ano era de crescimento de 2,3% no setor, mas a previsão foi revisada para uma redução de 3,9%.

Perspectivas para o Futuro

Para o próximo ano-safra, a expectativa é de um cenário de maior seletividade no crédito e custos financeiros elevados, exigindo maior eficiência e planejamento dos produtores. A retomada gradual dos seguros rurais dependerá de avanços estruturais, como a previsibilidade e recomposição da subvenção, e a integração entre crédito e seguro.

Fonte: UOL

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