A relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, expressa indignação e vergonha em seu novo livro, “Quando o Mundo Dorme”, acusando a comunidade internacional de inação diante da crise humanitária na Faixa de Gaza. Segundo a autora, governos e instituições multilaterais permitiram que Israel bombardeasse a região por dois anos, resultando em mais de 72 mil mortes e devastação de infraestrutura.



Albanese descreve a situação em Gaza como uma das piores páginas da história e sugere a conivência global. O livro, publicado originalmente na Itália em 2025 e lançado no Brasil pela editora Tabla, aborda temas relacionados à cultura árabe e islâmica, somando-se a outras obras críticas a Israel.
A relatora, que atua no cargo desde 2022 e teve seu mandato renovado em 2025, é conhecida por suas críticas contundentes a Israel. Ela já descreveu o país como um regime de apartheid e acusou-o de genocídio, embora tenha condenado os ataques terroristas do Hamas em outubro de 2023. Albanese argumenta que a reação de Israel visa a limpeza étnica, alegação negada por Tel Aviv.
O livro se estrutura em torno de dez personagens, mesclando narrativa e análise jurídica, além de reflexões pessoais da autora. Um dos casos destacados é o de Hind Rajab, menina de 5 anos morta em Gaza enquanto aguardava resgate, um evento que inspirou o filme “A Voz de Hind Rajab”. Albanese utiliza essa história para discutir o fenômeno conhecido como “unchilding”, a negação da infância.
Albanese também aborda o contraste entre a vida das crianças palestinas e a de seus próprios filhos, alheios à guerra, o que intensifica sua indignação. O livro refuta acusações de antissemitismo, citando amizades com estudiosos do Holocausto e o apoio de figuras judaicas. A relatora reconhece erros passados em sua percepção sobre a influência judaica nos EUA, distinguindo judeus de sionistas.
Apesar da solidez baseada na lei internacional e na experiência da autora, o tom do livro é apontado como um ponto frágil. Menções à vida pessoal de Albanese e fórmulas de autoajuda, como a necessidade de paz interior para trabalhar pela paz mundial, destoam da tese central sobre a inação global diante do sofrimento em Gaza.
Fonte: UOL